The first 200 lines.
Você conhece essa história.
O crepitar dos raios...
Um gênio louco...
Uma criação profana...
O mundo, é claro, se lembra do monstro, não do homem.
Mas, às vezes, ao olhar mais de perto, um conto revela mais.
Às vezes, o monstro é o homem.
Sou de circo desde que me entendo por gente.
Circos gostam de dizer que são famílias.
Mas, é claro, que todos têm seu palhaço.
Eu não tinha nome na época. Eu era só o Corcunda.
Ou aberração se quisessem ser bonzinhos.
Mas eu não os odiava por isso.
É difícil identificar crueldade se nunca foi tratado com gentileza.
Além disso, eu sempre tive a quem admirar.
Quando eu não estava atuando, servia de médico do circo.
Torne¡-me fascinado pela ciência da medicina
e a anatomia humana.
Queria entender tudo
sobre o universo interno que faz de nós quem somos.
Cérebro, pulmões, ossos, músculos...
O coração.
Não se¡ por que a ciência da vida capturou minha imaginação.
Talvez me ajudasse a escapar.
Meu Deus!
Se acha muito inteligente, não é?
Um intelectual!
Deve ser um constrangimento.
É o próximo!
Mal sabia eu que, naquela fria noite de Londres,
iria conhecer o homem que mudaria minha vida para sempre.
Damas e cavalheiros!
Testemunhem as proezas audaciosas de nossa ave no céu,
a bela Lorelei!
Lorelei!
Lorelei!
Oh, Lorelei!
Perdeu a respiração!
Fraturas prévias?
Quebrou o braço há um ano, e a clavícula antes disso.
Meu Deus!
É a clavícula de novo. O ombro se deslocou pressionando os pulmões.
- Perdeu a respiração. - Que faremos?
Nada, infelizmente. Não tenho os instrumentos.
Tem um relógio de bolso? Dê-me aqui.
- Não lhe darei... - Dê, ou ela morre!
Rápido!
Espere.
O deslocamento está forçando o esterno muito para fora.
- Pronto? - Prepare-se.
Três, dois, um...
Conseguimos!
- Está salva. - Respire.
Obrigada.
Foi incrível. Por que usa essa maquiagem tola?
- Sou palhaço. - Não é palhaço, é um médico
que realizou uma cirurgia a seco em menos de um minuto.
Sou um palhaço médico.
Nada de pânico, damas e cavalheiros! É parte do espetáculo.
Perde seu tempo aqui.
- Eu sou do circo. - Vai deixar este maldito circo.
O que está havendo?
- O senhor é médico. - Em meus melhores dias.
Hospital Chiswick Cross. Posso levar seus homens Iá.
Tirem-na daqui logo! Saiam pelos fundos.
Não quero perturbar a clientela.
Aonde vão levar a pobre criatura?
Senhor, por favor! Posso saber seu nome?
Damas e cavalheiros!
A Bala de Canhão Humana!
Por favor, não!
Seu traiçoeiro! Quer ir embora? Sou seu dono!
Estou farto dos seus livros! Seu lugar é no circo! Queime-os!
Mestre Barnaby, isto é tudo que tenho.
Não!
Se afaste daí!
Que sirva de lição!
Entre aí! Não vai a lugar algum!
Sabe o que houve com Lorelei?
Apaixonado, é isso?
Ela provavelmente morrerá, você sabe disso.
Esses médicos da cidade e seus hospitais imundos...
O que está fazendo?
É um imã. Deve servir. Geralmente funciona.
Não sabe o que ele fará comigo.
- Não sei? - Não posso partir.
- É claro que pode. - São meus donos!
É melhor que isso. Pode vir a ser melhor.
Posso soltá-Io, mas terá de confiar em mim.
Escolha já, ou fique aqui pelo resto de seus dias.
Se afaste da jaula! Você me ouviu?
Abra!
Peguem-no! Ele é propriedade do circo!
É agora!
Está nos roubando!
O Corcunda! Ele me atacou e roubou o circo!
Peguem-no!
Vão atrás dele!
Não toque nele!
Vá!
Pegueü
Que faremos? O que faremos agora?
Merda.
Como saímos daqui?
Você conhece tudo aqui, inferno!
Onde estão?
- Eu saí do circo. - O quê?
Pois bem!
Venha!
Nunca tinha saído do circo, senhor.
Olhos abertos, porta fechada, sem casaco.
Tire o casaco.
Vamos vestir algo um pouco mais confortável.
O que é?
O próximo passo.
Não. O que vai fazer comigo?
Absolutamente nada.
Não se preocupe.
Olhe.
Vai doer um pouquinho.
- O que está fazendo? - Escute!
Você não é
Corcunda!
Pelo menos não um corcunda de verdade.
Você tem um abscesso que causa um edema,
um bolsão de líquido.
- Está doendo! - Eu imagino que esteja.
Eu ouço muito isso.
Vendo o tamanho disto, eu diria que não é tratado
há 18 anos, mas
a boa notícia é que estou convencido de podermos drená-Io
em três,
dois,
um. E puxando!
Garde à I'eau!
- Essa foi a parte fácil. - Fácil?
Você está bem!
E vamos para cima!
Seus músculos,
seus OSSOS,
todo seu sistema esquelético
vai lutar para voltar ao lugar
que faz você farejar o chão
na postura retrógrada dos últimos
18 anos.
Então, por ora, meu amigo, terá de usar este
maravilhoso colete que construí para Gordon.
Quem?
Estou ereto!
É óbvio. Não superestimei sua inteligência, não é?
Não estou no circo, e agora estou de pé!
Já disse isso.
Pronto!
Biblioteca e escritório para Iá. Cozinha é ali.
Estou de pé.
Seu quarto é à direita. Há água quente e sabão nele.
Sugiro que os use para fazer algo a respeito
de seu cabelo.
Estarei no porão o resto da noite, porque tenho aula
pela manhã. Sinta-se em casa. Não toque em nada.
Eu tive... Eu tenho um inquilino.
Atende pelo nome de Igor Straussman. É viciado em morfina.
Idiota, mentiroso... Melhor para nós
que quase nunca esteja.
Caso alguém questione sua presença, deve dizer que você é ele.
Igor?
Muito bem.
Oi, meu nome é Igor.
Vejamos...
Um corcunda perigoso é detido para a segurança do público,
com um determinado cúmplice igualmente perigoso.
Eles chegam ao trailer do dono do circo, onde roubam o conteúdo do cofre.
Escapam de forma violenta, que culmina
na morte de um inocente, e viram
fumaça.
- Um bom resumo, Alistair? - Sim, inspetor.
Fuga, roubo, homicídio...
Como o Sr. Barnaby disse.
Eis o que acho que aconteceu!
Um ser humano com deformidade na coluna é trancafiado a contragosto.
Talvez um ato normal do tratamento dele aqui.
Um estranho o liberta
usando um imã e uma gazua
como qualquer tolo faria.
Eles saem em disparada urgente, é claro,
porque o circo está contra eles.
Eles fogem.
Perseguição...
Um homem morre.
Homicídio em legítima defesa no máximo, eu diria.
Procurado por homicídio. Faça cópias.
- O senhor não disse... - Eu disse.
Algo me diz que a aberração do circo pode ser só o começo.
Bom dia!
Igor, na escola até as seis.
Roupas no armário. Dinheiro e chave na lata perto da porta.
Esteja em casa para jantar, F.
Hospital Chiswick.
Doutor?
Venham! Vamos realizar uma amputação.
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