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NETFLIX APRESENTA
OPERAÇÃO STOP
Estás bem?
Faço o que posso.
E o que estás a fazer?
SEXTA-FEIRA, 16 DE OUTUBRO ALARME
Cuidado, Paula. Abranda. Está ali algo.
Está ali alguém.
Simón.
Simón!
Olá?
Estás bem?
Não.
- Espera. - Espera!
Cuidado!
Abrande!
Para!
- Cuidado. - Pare!
- Estás bem? - Sim.
Está bem?
- Vou ligar para o 112. - Não há tempo. Traz o carro.
Está mal. Devíamos ter esperado pela ambulância.
Pelo contrário.
Salvaram-na a vida ao trazê-la logo.
A mota pareceu não lhe ter tocado.
Isso é o menos.
Ela já estava muito doente.
O que tem ela?
Estamos a fazer análises.
- E os pais? - Estamos a tentar localizá-los.
Não há denúncias de desaparecimentos.
Falaram com ela quando a encontraram?
Ela disse alguma coisa?
- Nada. - Não, nada.
ALARME
Se ela não fala, como sabem que se chama Clara?
É o nome de uma das enfermeiras. Vimos que ela reagia ao nome.
- Ela disse algo? - Não.
- Porque não fala? - Não sabemos.
Há muitas formas de mutismo e muitas causas que o provocam.
Como ficou ela tão doente? Sabem a causa?
Ainda temos muitas perguntas.
O importante é que os médicos dizem que ela está a reagir bem ao tratamento.
Em breve poderemos dizer que é uma rapariga saudável.
O que aconteceu?
Porquê esta mudança? Aconteceu algo com os outros meninos?
Então?
Pronto.
Queres ficar aqui?
Clara?
Sim? Chamas-te Clara?
Vamos ficar aqui.
- Como sabem a idade dela? - Fizeram uma radiografia ao pulso.
E os pais?
Não os encontram.
Disseram mais alguma coisa?
Não.
Sabem pouco e também não nos disseram muito.
Meu Deus. O que terão feito à pobrezinha?
Que horrível!
Ela foi abusada?
Não.
Terá de ficar internada muito tempo?
Ela está muito doente.
Os rins praticamente não funcionam.
Não sabem se é genético ou…
Que horror!
Daí ser importante encontrar os pais dela.
Deviam cortar os tomates a essa gente.
Deixa isso aí.
Desculpe. Ela não está bem?
Está sedada.
Porque a ataram?
Por segurança.
Simón.
Não pode desatar esta rapariga.
- Clara. - Lamento.
Não podem estar aqui.
Por favor.
NINGUÉM RECLAMA A RAPARIGA DA ESTRADA
POLÍCIA CONTINUA A INVESTIGAR A SUA ORIGEM
Vá, estou com pressa.
Paula, vou chegar atrasado.
Já vou.
Vou buscar-te para irmos ver a Clara?
Vou?
Simón, vou buscar-te?
Sim.
Não tinhas pressa?
Queres?
Obrigada.
O que foi?
Não paro de pensar naquela rapariga.
Os rins estão finalmente a responder.
E, graças a vocês, ela melhorou muito.
Há novidades dos pais dela?
Ainda não sabemos nada.
É como se o quadrado de giz fosse esta mesa.
Está tudo bem aqui dentro.
Mas, se a obrigarmos a sair…
… parece cair num abismo.
A Clara não está bem no hospital.
Precisamos que ela crie vínculos e se sinta segura para a ajudar.
A responsabilidade é grande, mas ela criou vínculos convosco
e queremos aproveitar isso para a ajudar a encontrar família.
Não é um acolhimento, é mais complicado. Num acolhimento, os pais têm formação.
Aqui não há tempo.
Ela é a nossa prioridade.
E temos de ver que ela não pode sair à rua.
Nós sabemos.
Fui completamente sincera.
Disse-vos as coisas tal como são.
Pensem bem. Se estiverem de acordo, tratamos da papelada.
Paula, os médicos aprovaram isto?
Sim.
Ela devia estar no hospital, a ser cuidada por profissionais.
Mas ela não está bem lá, e surgiu esta oportunidade.
São só uns dias. Vamos ver como corre.
- Pensaste bem nisto? - Sim.
Pensámos bem os dois.
É definitivo, não?
- Ela chega hoje. - Hoje?
Então, vamos. Devem ter muito que fazer.
Sim.
Simón.
Simón.
Ela viu o quadrado de giz.
Bom dia, Clara.
Queres?
- Queres? - Sim.
É bom?
Muito bom.
Que delícia.
O iogurte é delicioso.
- Como sempre. - Sim.
Boa noite.
Clara.
Queres vir comigo?
Está em todos os desenhos.
Deve desenhá-los desde que era pequena.
Quero que venhas brincar comigo.
Não queres?
Clara, vou apagar.
Gloria, não.
- Esperem na cozinha. - Não é preciso.
Sim, é preciso.
Anda.
Olha para mim.
Aqui.
Vou contar até três e vamos apagar a linha de giz.
Um…
Dois…
Não tenhas medo.
E…
… três.
Magoaste-te?
Anda. Deixa-a trabalhar.
Respira.
Clara!
Para.
Clara,
sei que me entendes.
E sei que sabes falar.
Há pouco disseste "buma".
O que significa?
Por favor.
O quê? Não entendo.
Onde fica a tua casa?
Casa, kreide.
O que significa "kreide"?
- Kreide. - Kreide.
Onde fica a tua casa? Fica longe?
Fica perto?
Com quem vives?
Mãe.
Vives com a tua mãe.
Mãe.
E quem mais? Vives com o teu pai?
Clara, com quem vives?
Se não queres falar comigo, vou ter de apagar o giz.
Clara.
Olá.
Não te vou obrigar a falar.
Sei que tens medo de atravessar a linha de giz,
mas…
Mas não temos de sair.
Enquanto estiveres aqui, comigo e com o Simón,
não te vai acontecer nada.
Prometo.
Vamos ficar aqui.
O que é isto?
É para mim?
É lindo.
Adoro o teu presente.
- Olhem só para isto. - Não pisem o giz, por favor.
Pensávamos que ela não falava.
- Nós também. - Foi uma surpresa para todos.
- O que é que ela disse? - Palavras soltas. Mal se percebe.
A psicóloga acha que ela vai melhorar.
Ela disse "mãe". Devia viver com ela.
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