Women & the Wind

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[𝗖𝗼𝗳𝗳𝗲𝗲𝗣𝗿𝗶𝘀𝗼𝗻] 𝗪𝗢𝗠𝗘𝗡 & 𝗧𝗛𝗘 𝗪𝗜𝗡𝗗 (𝟮𝟬𝟮𝟱) - 𝗣𝗥𝗜𝗠𝗘 𝗔𝗠𝗭𝗡 𝗪𝗘𝗕
A Commentary by Coffee_Prison
𝐏𝐑𝐈𝐌𝐄 𝐕𝐈𝐃𝐄𝐎 >> 𝟎𝟏𝐡 𝟑𝟓𝐦 𝟑𝟔𝐬 ➖ EᑎᒍOY TᕼE ᗰOᐯIE

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Published on: 2026-07-23
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The first 200 lines.

Eu estava me sentindo muito perdida em absoluta liberdade.

Não tinha nenhuma responsabilidade além do barco,

não tinha nada para fazer.

Então, quando a Lӕrke me disse que queria sair para velejar,

fiquei muito empolgada com a possibilidade de um projeto.

Eu sabia que queria fazer um projeto que não fosse sobre mim.

Que não fosse necessariamente sobre o barco,

ou necessariamente sobre

como nós velejamos ou algo do tipo,

mas eu queria que isso envolvesse outras pessoas.

Sempre vivi minha vida de uma forma que, quando sinto algo excitante,

eu vou atrás disso e continuo fazendo e falando sobre isso

como se fosse acontecer, independentemente de eu saber se vai ou não.

- É assim que você veleja?! - Sim.

Parecia muito legal juntar a ideia de mulheres

velejando pelo Atlântico Norte, que

não é algo que muitas pessoas fazem em geral,

não é a viagem mais escolhida

porque é difícil.

E o barco sendo tão rústico e simples

em suas capacidades para velejar, é interessante.

O Mara Noka é um design de James Wharram.

Narai Mk I,

construído entre 1971 e 1974.

Ele é baseado no Rongo, que foi

o segundo barco de James Wharram,

que ele construíu para cruzar o Atlântico Norte

de oeste para leste pela primeira vez.

Ninguém tinha feito isso em um catamarã antes.

Encontrei o Mara Noka no Panamá.

Eu não sabia velejar nada quando peguei o barco.

Não sabia como içar a vela principal.

Eu entendia de vento,

mas quando comecei a navegar,

senti que era o barco quem me navegava.

Depois de uma semana velejando constantemente

pela primeira vez,

comecei a reconhecer os sons

e essa foi uma experiência muito interessante.

Não sei, você cria uma espécie de simbiose com a embarcação.

Durante aquele primeiro ano velejando,

foi muito, muito difícil o tempo todo, ver o barco se soltando

e sentir essa sensação de dívida com o barco.

Eu sentia que ele estava com dor às vezes,

mas ainda assim se divertia com o que estava fazendo.

Existe uma conexão muito especial com ele.

Parecia que estava empolgado com

novas aventuras.

Quando eu morava na minha cidade natal,

eu ia frequentemente até a água, me sentava e ficava olhando para o mar,

e mesmo sendo uma baía, você não via a terra do outro lado,

eu sempre encontrei muita paz em olhar para o oceano,

porque ele é como uma tela em branco e você pode apenas olhar

e tudo parece possível.

Sempre quis

velejar em uma grande jornada desde que eu era criança,

e lembro desses livros

sobre uma família de velejadores na Dinamarca que meus pais liam para mim,

e havia um sobre um dos filhos indo nessa grande jornada,

e eles estavam no Caribe, e encontraram todos esses animais.

Como ver golfinhos e tartarugas,

e isso ficou na minha cabeça por muito tempo,

e então comecei a contar para as pessoas que eu iria cruzar o Atlântico,

e às vezes eu crio minha própria realidade só repetindo as coisas,

e então isso era o que eu queria fazer.

Eventualmente,

percebi que seria muito legal documentar

como o plástico viaja pelo oceano, porque isso foi algo

que me impactou muito na minha primeira travessia do Atlântico.

A poluição por plástico nos nossos oceanos

é um grande problema, e isso está sempre me fazendo

pensar em soluções melhores.

Eu moro nas Ilhas Canárias, onde trabalho com Clean Ocean Project,

então estou sempre na praia recolhendo lixo, fazendo mutirões de limpeza,

e lembro que uma vez, em uma praia, encontramos

mais de 45 garrafas plásticas, e elas eram de todos os lugares do mundo,

e muitas dessas garrafas cruzaram o Atlântico

porque elas viajam com os mesmos ventos e correntes que os barcos.

Então achei que seria interessante acompanhar essa jornada.

Eu só preciso de… eu preciso de ajuda. Sim.

Bem, eu posso ajudar?

Eu conheci a Kiana quando

ela tinha acabado de fazer sua primeira travessia solo do Atlântico,

e ela estava passando pelas Ilhas Canárias, e eu pensei,

que mulher incrível,

eu quero fazer algo com ela.

Então começamos a conversar e rapidamente começamos a sonhar em fazer um projeto,

e não tínhamos dinheiro.

Mas eventualmente pensei, eu quero fazer isso

e quero fazer acontecer, não importa o quê.

Então vendi meu carro velho.

Vendi minha prancha de surfe.

Disse a todos, “nos vemos em três meses”

e fui encontrar a Kiana.

A encontrei no estaleiro,

e ela me disse que havia alguns problemas com o barco,

mas ainda assim íamos velejar em duas semanas.

As duas semanas rapidamente se transformaram em um ano inteiro.

Acabamos removendo a camada de alcatrão

e nylon do barco

e expondo toda a madeira nua que cobrimos com fibra de vidro,

o que foi um processo muito trabalhoso.

Além disso, acabamento e pintura,

preparação e pintura.

Depois trocamos todo o convés superior.

Sim! Cuidado!

Aprendemos que nada realmente sai como o planejado,

e isso é uma grande parte de toda a aventura,

e mesmo que tenha sido difícil na maioria do tempo, tivemos sorte de receber

muito apoio de amigos, familiares e pessoas ao nosso redor,

e isso foi um grande motivador para continuar,

e também, ambas sabíamos que a alternativa

de desistir seria ainda mais difícil.

A Kiana, que eu tinha conhecido uma vez

antes, no estaleiro,

quando vi esse barco praticamente destruído,

me mandou uma mensagem

perguntando se eu queria cruzar

o Oceano Atlântico Norte

e fazer um documentário sobre isso.

Minha primeira

resposta foi tipo, “sim,

claro!”

Sempre foi um sonho meu desde a adolescência.

Talvez com 13 ou 15 anos comecei a sonhar com navegar,

mas nunca realmente procurei

ou busquei por uma experiência.

Eu me sinto muito atraída pelo desconhecido

e por me desafiar

e estar em situações desconfortáveis

e emocionantes.

Então foi tipo uma resposta instintiva, sim,

claro.

Cada célula do meu corpo dizia, “Vamos lá, garota,

vamos cruzar um oceano!”

Para os preparativos da viagem,

eu sempre tenho a tendência de levar comida demais,

mas, nesta situação, com três pessoas ao invés de uma,

eu fiquei completamente perdida

em termos de quanto precisaríamos.

Então eu usei todos esses tipos de vegetais

que demoram muito para estragar.

Nós levamos 16 galões de 25 litros,

que é 4 litros por pessoa por dia,

isso inclui o chá, o banho e a água para beber.

A energia vem de painéis solares,

180 watts de painéis solares e quatro baterias,

e para o combustível de cozinha, temos um fogão a gás,

e levamos três cilindros de propano.

Eu aprendi muito rápido,

depois de três semanas esperandoum vento “bom” para partir,

porque eu achava que o vento era tipo: É, o vento está sempre bom.

Requer muita paciência e te exige ser muito humilde,

e esperar,

e ouvir,

e eu acho que isso tem muito a ensinar.

“Ah, entendi. Ah...”

Para mim, isso foi um teste em si.

Eu pensava que era paciente, que eu era zen.

Mas aquelas primeiras três semanas esperando o vento,

eu não estava zen.

Mas isso faz você

perceber que você não está no controle.

Tudo o que você pode controlar é a si mesma, seu estado emocional.

O choque é uma condição que ameaça a vida,

onde o fluxo sanguíneo para os tecidos do corpo é inadequado

e as células ficam privadas de oxigênio.

Qualquer lesão ou doença grave pode causar choque.

Partimos de Beaufort, Carolina do Norte, no dia 27 de junho de 2022,

rumo a Flores, nos Açores.

A distância, em linha reta, é de 2200 milhas náuticas,

então você espera estar se movendo a 100 milhas por dia,

o que nos daria uma estimativa de chegada de

cerca de 25 dias.

Aquela experiência de não ver terra…

Eu não diria que foi uma sensação dramática,

porque é tão rápido que você não vê a terra,

o tempo todo, mesmo estando rodeada de água,

você sente como se estivesse em uma pequena bolha,

e acho que é impossível compreender

que você está nesse oceano gigantesco.

Liz, você está fazendo um ótimo trabalho.

Obrigada por nos guiar.

Não posso acreditar

que este é o barco que nós pintamos.

Lixamos, fizemos todas essas coisas.

É tão estranho ver ele na água.

Pensando neste barco no estaleiro por tanto tempo.

E agora ele está fazendo apenas o que deveria fazer.

Meu ponto de observação de plástico.

Que loucura. Estamos no meio do nada.

- Esse aqui é muito velho. - Sabíamos que, ao cruzar o Atlântico,

seria praticamente impossível para nós recolhermos plástico.

Mas depois pensamos que a melhor forma seria apenas documentar

o que vemos e fazer isso da forma mais sistemática possível.

Então fizemos um pequeno diário onde anotamos todo dia

o que conseguíamos ver de plástico, o que conseguíamos pegar,

e também anotamos o clima, as condições,

como a água estava,

os barcos que vimos, a vida selvagem.

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