The first 200 lines.
NETFLIX APRESENTA
DELI 2007
- Mudo para tequila? Mas eu… - Porque não?
- Marajá, canta para mim! Canta! - Canta!
O que faz deste lado da estrada? O que se passa? O que foi?
- Porque conduz assim? - Senhora, conduzo agora?
- Estás preocupado? - Não, não estou.
Estás, pois.
Senhora, a vaca!
Não se vai mexer.
Santa vaca, so jao!
Foi o melhor aniversário de sempre. Não o teria feito se…
Parabéns a você
Meu Deus!
Nesta data querida
És tão…
Para a menina Pinky
Uma salva de palmas…
Perdoem-me, não é assim que se começa uma história.
Afinal, sou indiano,
e é um costume ancestral e venerado do meu povo
começar uma história a rezar a um poder divino.
Eu também devia começar por beijar os pés de um deus, mas que deus?
Os muçulmanos têm um. Os cristãos têm três.
E nós, os hindus, temos 36 milhões.
O que faz um total de 36 milhões
e quatro pés divinos por onde escolher.
Há quem pense que nenhum destes deuses existe,
mas, no meu país, compensa pensar das duas formas.
O empresário indiano tem de ser honesto e corrupto, fingido e crente,
dissimulado e sincero, tudo ao mesmo tempo.
Wen Jiabao, primeiro-ministro da China,
vem à Índia para conhecer empresários indianos de sucesso.
A China quer saber mais sobre a crescente economia da Índia.
O mundo está atento ao encontro destas superpotências económicas.
Espera-se que Jiabao…
Excelência, Sr. Jiabao.
Quando soube que vinha conhecer empresários indianos,
tive de lhe enviar um email.
SUA EXCELÊNCIA WEN JIABAO, O PRIMEIRO-MINISTRO, PEQUIM.
Apesar de o país não ter água potável, eletricidade,
rede de esgotos, transportes públicos,
higiene, disciplina, cortesia ou pontualidade,
tem empresários.
O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, quer saber mais sobre a economia…
Há já algum tempo que sigo a ascensão do seu país.
Sei que os chineses amam a liberdade e a liberdade individual.
Os ingleses quiseram fazer de vocês criados,
mas vocês nunca deixaram.
Admiro isso, Sr. Primeiro.
É que eu já fui um criado.
Hoje, sou um empresário de sucesso em Bangalore, a Silicon Valley da Índia.
O nome vem de Silicon Valley, nos EUA,
mas todos concordamos que os EUA são o passado.
A Índia e a China são o futuro.
Acreditando que o futuro do mundo
está nas mãos do homem amarelo e do homem castanho,
agora que o outrora senhor, o homem branco,
se arruinou com sodomia, telemóveis e consumo de droga,
ofereço-me para lhe contar, sem qualquer custo,
a verdade sobre a Índia, contando-lhe a história da minha vida.
Estes são os membros da minha família mais importantes e bem alimentados.
A seguir a eles, a minha astuta avó, Kusum.
Ela obrigou o meu irmão Kishan a trabalhar na loja de chá.
E ficava com todo o dinheiro do meu pai, um puxador de riquexó.
Venho da aldeia de Laxmangarh, que fica na escuridão.
A Índia são dois países num só,
um de luz…
… e um de escuridão.
Acho que um homem rico como o senhor sabe de qual eu venho.
Para saber o básico a meu respeito, não há nada melhor do que o cartaz
que a polícia fez há uns anos
devido a um ato de empreendedorismo.
PEDE-SE AJUDA NA BUSCA DE HOMEM DESAPARECIDO
Sim, a polícia anda à minha procura. Porquê?
Lá chegarei,
mas só se prometer não me julgar até lhe contar a minha história.
Lê. Tu.
Não sabes?
"A, G, Z…"
Não lhes ensinaste nada, inútil?
- Desculpe, senhor. - O quê?
"Vivemos numa terra magnífica.
O Senhor Buda recebeu a iluminação nesta terra.
Estamos gratos a Deus por termos nascido nesta terra."
Vem cá, rapaz.
- Quem é esta mulher? - A Grande Socialista, senhor.
Qual é mensagem dela para as crianças?
Qualquer rapaz pobre de qualquer aldeia,
quando crescer, pode ser primeiro-ministro da Índia.
Na selva, qual é o animal mais raro
e que só nasce um em cada geração?
O tigre branco.
É o que tu és. O tigre branco.
Garantirei que vais ter uma bolsa numa escola longe daqui,
na nossa magnífica capital, Deli.
Pai, sabes como chamam a isto?
Como?
É "clavicle".
- Clavicle? - Clavicle.
Clavicle?
A isto chamam "shoulders".
Isto é "backbone".
- E isto, como se chama? - "Cheeks".
- E isto? - "Nose".
E isto?
Na escuridão, dormíamos todos juntos,
com as pernas umas por cima das outras, como uma criatura só, um milípede.
COMO NADAM OS CROCODILOS?
VIVA A GRANDE SOCIALISTA
Olá, Balram!
O Cegonha. Ele era o senhorio que mandava na aldeia
e recebia um terço de tudo o que ganhávamos.
Tirou tanto à aldeia que já nada restava para lhe dar.
Temíamos ainda mais o seu filho mais velho, o Mangusto.
O meu pai estava sempre em dívida para com eles.
Não volto a perguntar!
Munna!
Traz o caderno e o lápis, vamos.
A loja de chá? Mas eu vou para Deli.
O pai não pagou ao senhor.
A avó disse que agora tinhas de trabalhar.
Kishan!
O que fazes aí? Vai trabalhar!
Parte todos.
Não gostas?
Imagina que é a minha cabeça.
Vá, querido.
Janta.
Nunca mais pus os pés numa escola.
Come.
No fim daquele ano, o meu pai adoeceu com tuberculose.
Nenhum político construíra um hospital em Laxmangarh,
por isso, tivemos de viajar dois dias até outra aldeia.
Vou chamar um médico.
Não veio nenhum médico.
As promessas nas eleições
ensinaram-me a importância de não ser um homem pobre numa democracia livre.
O nome de Deus é a verdade…
Até na morte, ele resistia ao destino.
Resistia morrer, renascer e voltar a morrer, tudo para nada.
Naquele momento, entendi
quão difícil é para um homem ser livre na Índia.
Mais tarde, percebi porquê.
A melhor coisa deste país
nos seus dez mil anos de história, o galinheiro.
Eles veem e cheiram o sangue.
Sabem que são os próximos, mas não se rebelam.
Não tentam fugir da gaiola.
Os criados foram educados a comportar-se da mesma forma.
A mobília às costas vale o salário de dois anos.
E ele pedala para devolver o dinheiro ao patrão
sem nunca tocar numa única rupia.
Nenhum criado o faz.
Porquê? Porque os indianos são as pessoas mais honestas e espirituais do mundo?
Não.
É porque 99,9 % dos criados estão no galinheiro.
A fiabilidade dos criados é tão forte,
que podemos pôr a chave da emancipação na mão de um homem
e ele devolve-a amaldiçoada.
Aprendi a usar o meu tempo para escutar os clientes.
À espera de uma oportunidade.
Querem um chá? Faz um chá!
Algo de que o meu irmão já tinha desistido há muito.
Despacha-te.
És surdo? Vai trabalhar.
A GRANDE SOCIALISTA
Os comunistas como o senhor não acreditam em Deus,
mas acredita no destino?
Foi quando o vi pela primeira vez, o filho mais novo do Cegonha, o Sr. Ashok.
Tinha acabado de voltar dos EUA para a Índia, Dhanbad,
onde a família fez fortuna com o carvão.
Soube logo que era o senhor para mim.
Soube que precisam de um segundo motorista para o Sr. Ashok.
Ele voltou agora…
Mas tu não sabes conduzir!
Só preciso de 300 rupias para as aulas de condução e…
Não! Sempre foste insolente, como o teu pai.
Vais ficar aqui com o Kishan.
A avó casou-o,
deu-lhe duas semanas para ele ter sexo com a mulher
e agora estava preso aqui. E também eu ficaria.
Está bem, esquece.
Se fosse motorista deles, compraria imensos búfalos-d'água
e toda a aldeia me invejaria.
Vais ser motorista dos senhorios?
Poderias ser a mulher mais rica da aldeia.
Jura por todos os deuses em que acreditas
que vais enviar todas as rupias, todos os meses, para a tua avó.
- Juro. - Para de sorrir!
Belisca a mão e jura!
Estou a beliscar! Avó, imagina só…
Vais ser a mulher mais rica da aldeia.
Esta bengala será de ouro e, quando a girares assim,
a aldeia inteira se alinhará para ti.
Espera! A avó fez o teu favorito!
Come tu o quiabo gordurento! Eu como em Dhanbad!
Agora, só tenho de aprender a guiar.
Cuidado, imbecil!
És da casta dos que fazem doces.
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