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PRETO
Olá, Poupas. Como estás?
Está tudo bem. São todos simpáticos.
Sim.
O que queres saber?
Estamos atrasados.
Sim. Desculpe.
Desculpe.
Já se adaptou à cidade?
Para lá caminho.
Baniram-no para aqui, mas não é o fim do mundo.
Se se mantiver discreto durante uns anos,
vão esquecer-se.
Não podem punir procuradores por apanharem assassinos.
Quem sabe? Até pode gostar disto.
- Olá. - Olá.
Como foi a noite?
Ótima. Andei a explorar a cidade.
- A sério? - Não.
Devias. A história de Trulocz remonta ao Neolítico.
O que é isto?
O teu novo caso.
- Furto numa loja de bebidas? - O lado negro da cidade.
Lembras-te do rapaz que desapareceu há dois anos?
Adam Poznański?
Sim. A mãe denunciou o desaparecimento.
Helicópteros, cães,
buscas na floresta.
Depois lembrou-se de que ele estava com parentes.
Como se esqueceu disso?
Porquê?
O meu amigo tem um problema com as estatísticas.
Dá-lhe erro ao arquivar o caso.
Típico. Fala com o chefe Adamczyk para resolverem isso no sistema.
O rapaz cantava bem. Lembro-me dele na igreja.
És religioso?
Sou supersticioso.
E tu?
- Ruchanki. - Obrigado.
Ruchanki?
Não perguntes.
- Quando chega a sua filha? - Amanhã.
Ótimo. Vai aproveitar o Dożynki. Será uma grande festa.
É a escritora de policiais que comprou uma casa junto ao lago?
- Julia Sarman. Bom dia. - Bom dia.
Este é o meu filho, Piotruś.
Elżbieta Pakosz. Desculpe, é uma vila. Toda a gente sabe tudo.
Tem ali dois colegas seus.
- Escritores? - Quase. Procuradores.
Que menino tão giro.
Tal como o meu Michaś.
Tem de o conhecer. É tímido.
- Mãe. - O que foi?
Trabalho de parto de 24 horas.
Ele não encontrava a saída. E continua assim.
O meu durou quatro horas.
Ele estava no saco amniótico. Pensei: "A cara dele?"
Ele nasceu coberto!
Quem vai pagar a conta?
Pago em géneros.
É o meu marido.
Chefe.
- Bom dia. - Bom dia, Leopold.
Lembra-se do rapaz que desapareceu há dois anos? Adam Poznański?
Sim.
Um amigo da polícia está a fazer as estatísticas
e disse que não há nenhum relatório no sistema.
Diga ao seu amigo para verificar outra vez.
Está tudo em ordem aqui.
Não estamos em Sopot.
Eu digo-lhe. Obrigado.
- Mas o rapaz foi encontrado, certo? - Sim.
Com a família?
Estás a interrogar-me, jovem?
Só estou a perguntar.
Ele estava com parentes. A mãe é um pouco lenta.
Entendido. Obrigado.
De nada.
Imbecil de Varsóvia.
O caso do Poznański não está no arquivo.
Tem de estar lá.
E se não estiver?
- Deve estar. - Mas não está.
- Então está na polícia. Pede ao Adamczyk. - Ele mandou-me pastar.
A sério?
Sabes onde vivem os pais do rapaz?
Porquê? Estás aborrecido?
A Ewelina acha-o um santo. Sei que isto só vai causar problemas.
Têm uma casa bonita.
Obrigada. Não está acabada. Construímo-la recentemente.
Deve ser difícil com três filhos.
Que três? Tenho quatro para sustentar.
Mas ainda bem que há o abono.
Espero que não o cancelem. O meu marido faz biscates, mas…
Pelo menos dá para as contas.
Dá para as contas?
Expressei-me mal. Porque está aqui?
- É sobre o seu filho Adaś. - O que tem?
Comunicou o desaparecimento dele há dois anos e depois retirou a queixa.
E então?
- Encontraram o seu filho, certo? - Sim.
Ele está aqui agora?
- Não, vive com familiares. - Em Trulocz?
Não em Trulocz, não.
Então, onde?
Do outro lado da Polónia. Perdi a morada.
Como se chamam eles?
Não me lembro.
Dos nomes dos seus familiares?
Não somos próximos. É prima da minha mãe. Ela quis ajudar.
Eu digo-lhe se encontrar.
Posso ter feito cara de parva, mas gosto dele.
A Ewelina é jovem. Leva tudo a sério.
É engraçado…
Não tem contacto com o seu filho?
Com tantos filhos, acabamos por não ter tempo.
Tem filhos?
Tenho, sim.
Então sabe como é.
Como é que ela morreu, mãe?
Mãe?
Mãe!
Mãe!
Fizeste aquilo outra vez.
Desculpa.
Julia?
Não me reconheces? Patryk Deczer, do liceu.
Olá.
Caramba. Porque não disseste que voltaste?
Os nossos ex-colegas iam gostar. Podíamos fazer um churrasco.
Como estás?
Não sei se te lembras, mas eu pintava no liceu.
Ainda pinto.
Tive uma exposição em Copenhaga.
É o teu filho?
Sim. O Piotruś.
Olá, Piotrek.
A avó deve estar feliz por ter um neto.
Ainda não tivemos tempo de a ver.
Ouve, vamos manter o contacto, organizar um encontro com amigos.
- Está bem. - Está bem?
Temos de ir. Até à próxima, Patryk.
Adeus. Adeus, Piotrek!
Porque não vamos ver a avó?
Ela não quer saber de mim.
O que aconteceu na altura?
Não sei ao certo.
Mas foi algo mau.
Em que estás a pensar?
No pai.
Às vezes, não me lembro da cara dele.
Olha, acena!
Barril!
Olha os castelos saltitantes!
Castelo!
- Acho que este é o maior, não é? - Sim!
Vai lá.
Sr. Procurador?
Olá. Leopold.
- Julia. - Muito gosto.
- É a tua filha? - Monika.
- É linda. - Obrigado.
Vai começar a escola?
Para o ano, em Varsóvia. Ela vive com a mãe.
- Estás em Trulocz há muito? - Não, há pouco.
E estás a gostar?
Não é mau.
Pois, nem eu.
Porque estás aqui?
As pessoas ficam tensas quando descobrem que és procurador?
- Sim, ficam. - Não te incomoda?
- Sim. - Porque te tornaste procurador?
Nem eu sei.
Porquê Trulocz?
Estou a fazer pesquisa para um livro.
O passado negro da Cassúbia e coisas assim.
- A Monika está de férias com o pai? - Sim.
Mãe, vamos ao tiro ao alvo!
Se estiverem aborrecidos, visitem-nos. Moramos junto ao lago.
Eu digo-lhe. Obrigado!
Segura. Olha só.
Promoção especial!
Acerta no alvo, miúdo,
e a tua linda mãe ganha um ursinho de peluche para abraçar.
Sim, ouvi dizer que estavas aqui.
O que foi? Não me reconheces?
- Espera, é teu filho? - Vamos.
- Voltamos mais tarde. - Miúdo!
Vê o que a tua mãe me fez!
Olha!
Sejam muito bem-vindos. Há muita gente aqui hoje.
- Lembro-me… - Estás bem?
… do meu primeiro mandato como presidente da câmara, há 20 anos.
Deram-me um conselho.
"Ouve o povo, Fabiola."
Tento fazer isso todos os dias e espero que vejam isso no meu trabalho.
Obrigada.
Mas esta vila está a crescer graças a vocês.
Graças aos residentes, aos empresários,
à nossa cooperação.
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