The first 200 lines.
Vou ter saudades tuas.
Quem me dera não ter de ir.
Adoro-te tanto.
Vais tomar os teus comprimidos, querido, sim?
Não os mastigues e deites fora.
Não acredito que vais viajar, mãe. Sei como detestas andar de avião.
Sim, detesto, mas há coisas que são importantes.
Obrigada por ficares com ele.
De nada. É um querido.
-Meninos, venham cumprimentar a avó. -Estou ao telefone!
Os amarelos são duas vezes por dia e os azuis uma.
Eu sei. Deste-me a lista, lembras-te?
Sim, eu sei, mas...
E estes são os brinquedos dele.
E ele dorme com o Sr. Alce.
Se não entrarem já aqui,
deito-vos os telemóveis pela sanita abaixo!
Não os quero ver. Quero dizer, não os quero incomodar.
Sei que estão ocupados.
Não grites tanto. Não quero que o enerves.
-Mãe... -Ele já está passado.
-Não acho que esteja stressado. Está bem. -Olá, avó.
Olá, Tommy.
Então, quem morreu?
Uma velha amiga.
Talvez possas brincar com o Dashel.
Talvez.
Está bem.
Se acontecer alguma coisa, quero que saibas que te adoro, Dashel.
Sim, a mamã adora-te e vai correr tudo bem.
Não sejas tão dramática, mãe. Voar é muito seguro.
Vais voltar num instante.
Não vai acontecer nada.
-Claire. -Allie.
Ainda bem que veio.
-Obrigada por me avisares. -Claro.
A minha mãe tinha muitas saudades suas. Ela adorava-a.
Eu também a adorava.
Parem. Estou a ver-vos.
-Três? -Três. Dá para acreditar?
Parem.
O pai vai ficar feliz por ter vindo. Vai significar muito para ele.
Estivemos juntos 51 anos. Cinquenta e um anos.
Ela era uma mulher maravilhosa.
Maravilhosa.
Estou a usar saltos altos em honra da Joyce.
Ela tinha pernas fantásticas e adorava exibi-las.
Pois era. Tinha pernas espetaculares.
Claire! Sempre vieste.
Ela teria ficado muito feliz.
Esta é a Claire, uma das amigas mais antigas da Joyce.
Andaram juntas na faculdade.
Agora, a Claire vive no Ohio.
-Lamentamos muito. -Deus te abençoe, querida.
Liga-nos e vem jantar, Howard.
Obrigado, assim farei.
Adoramos-te.
Claire...
Howard, vou-te matar.
Agora que ela morreu, agora que já não a pode magoar,
vou-te matar.
Este fim de semana.
Vou fazê-lo este fim de semana.
Howard. Querido Howard.
Olá, olá.
-Pobre homem. -Sim.
Lamento imenso.
Seria de esperar que nos habituássemos.
Habituássemos à ideia da perda.
Quando a vemos a esta distância, no horizonte.
É como aquele plano do Lawrence da Arábia.
Aquele pontinho que se aproxima cada vez mais.
Aprendi muito.
Mudei muito.
Aprendi a ter paciência, humildade.
Aprendi a gostar de galões.
Alguns de vocês sabem
que a Joyce adorava os seus galões da tarde,
e também me viciou neles.
Às vezes, acho que ainda a ouço dizer:
"Howie, vai ao café e traz uns galões, está bem?"
Conheci a Joyce em Nova Iorque.
Casámo-nos...
...sete meses depois de nos conhecermos.
E não me arrependo.
De nada.
Querida, só quero que saibas, do fundo do meu coração...
Enganei-me na entrada?
A porta dizia "capela".
Howard.
Interrompi o teu elogio fúnebre?
-Céus, desculpa. -Não faz mal, Evelyn.
Não faz mal. Por favor. Esta é a Evelyn.
A Evelyn foi colega de quarto da Joyce na faculdade, acreditem ou não.
Porque não acreditariam?
É só uma expressão.
Estava nas traseiras, na casa de banho. Isto parece um dédalo.
-Entendido. -Um labirinto.
Sim.
Bela foto. Um pouco inócua, talvez.
O quê?
Bem, ela parece agradável,
mas a Joyce nunca foi apenas agradável.
Foi sempre fulgurante.
Fulgurante?
Evelyn, importas-te de te sentar? Por favor?
Estou a meio do elogio fúnebre à minha mulher.
A minha mulher de há 51 anos acabou de morrer!
Compreendo.
A minha amiga morreu, a minha amiga de há 60 anos.
E esta?
Não é impressionante?
Bem, força.
Estavas a dizer algo sobre não ter arrependimentos.
"Querida Joyce, do fundo do meu coração..."
Sim.
Ia dizer que...
Admirei a coragem dela ao lutar contra esta doença horrível.
Evelyn.
Evie.
-Sou eu. A Claire. -Olá, Claire. Eu sei que és tu.
Ainda não perdi o juízo. Nem a vista.
Entra. Deixa-me dar-te boleia.
Tens carta de condução?
Tenho. Fiz o exame há dois meses.
E passaste? Subornaste o instrutor?
Não foi preciso. Sou uma excelente condutora!
Confio mais no autocarro.
Entra. Tenho de falar contigo.
Sobre o quê?
Sobre o que tens de falar?
-Vamos, mexe-te! -Bolas, tem calma!
Que tipo de pessoa buzina num cemitério?
Passa! Há espaço! Vai!
-Idiota. -Estúpida!
Entra, Evie. Tenho de falar contigo.
Eu disse-lhe.
Disseste-lhe o quê?
Disse-lhe que o ia matar este fim de semana.
Vou matar o sacana.
Posso conversar um pouco.
Não vais matar ninguém.
-Vou. -Sempre tiveste grandes ideias,
mas poucas concretizações.
Não é verdade.
E aquela vez em que ias sair a meio da noite
e pintar uma vagina naquela república universitária?
Não me lembro disso.
Falaste disso durante semanas.
Ias fazê-lo no baile da universidade.
A sério? O que aconteceu?
Nada. Não aconteceu nada. Nunca o fizeste.
E aquela vez em que ias ser uma cantora lounge?
Ou conduzir até ao Peru?
Ainda tenho tempo.
Ainda tocas?
Claro que ainda toco.
Sem o violoncelo, estaria perdida. Completamente perdida.
Que bom para ti.
Já não faço parte da orquestra.
Faço parte de alguns grupos.
Um é totalmente dedicado a compositores modernos.
E o outro é só Bach.
Ainda tens aquela casinha gira?
Isso é maravilhoso, maravilhoso.
Estava a pensar se me podias ajudar.
A fazer o quê? Matá-lo?
Há uma coisinha chamada "cadeia".
É um bom sítio para visitar, mas não para viver.
E vamos fazer uma pausa para recordar a nossa linda, gentil e feliz amiga,
a cujo funeral fomos hoje.
Tenho pensado nela.
Dei prioridade à felicidade dela em vez da minha,
em vez da minha sanidade mental.
Ela nunca te pediu para fazeres nada.
E eu disse-te para ires à polícia.
Sim, pois disseste. Não teriam acreditado em mim.
Naquela altura?
"Porque estava sozinha naquela casa?
Sabia que a sua amiga estava fora.
Porque estava sozinha na casa da sua melhor amiga,
com o marido dela?"
Melhor amiga? Na altura, pensava que eu era a tua melhor amiga.
Eram ambas as minhas melhores amigas.
Estou a brincar contigo.
Se eu tivesse contado à polícia, teria estragado a vida dela.
Nunca saberemos.
A vida dela podia ter sido melhor.
Então...
...qual é o plano?
Vou alvejá-lo.
Vou comprar uma arma e levá-la para o velório.
Queres vir comigo?
Claro, Scarface. Parece divertido.
Está bem.
FÁBRICA DE ARMAS AMERICANAS
-Olá. -Olá.
Queria comprar uma pistola.
Algo que não seja muito pesado.
E talvez um silenciador.
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