The first 200 lines.
O SEGREDO DO FAROL
Subpack by DanDee
Olá?
Espera! Olá!
O que é que estás a fazer aqui? Diz-me!
Eu não sei...
Como é que te chamas?
Eu estava a caminho de São Francisco.
Tinha acabado de ganhar uma importante tarefa da engenharia civil,
então...
Eu estava na água,
houve uma tempestade...
uma luz distante.
Deus, o resto é apenas um apagão.
Como é que isso é possível? É enlouquecedor.
A ferida na tua cabeça.
Eu encontrei-te inconsciente na praia.
Ficaste inconsciente durante dois dias.
A luz? Foi um aviso, não um convite.
Obrigado por cuidar de mim. Eu estou em dívida com o senhor...
Deixa-me ser claro, rapaz. Este lugar é isolado, remoto.
Eu gosto desta maneira.
O meu trabalho aqui é manter a casa, o chão, e manter a luz acesa.
Não é acolher convidados ou ser ama.
Claro.
Bem, agora que eu estou de pé e de volta, eu não vou mais pertubá-lo.
Eu vou ao meu caminho esta tarde.
Ninguém deixa esta península...
Desculpe-me?
Ninguém sai desta península, excepto por balsa.
Quando é que a balsa vem?
Daqui a duas semanas.
Não, deve haver outra passagem.
Há um trilho.
E?
Impossível.
As montanhas enchem o riacho nessa época do ano.
Cruzá-lo seria suicídio.
Você tem telefone.
Se o meu navio naufragou as autoridades saberão sobre ele.
Olá? Olá?
Haverá manifestos de navios, um relatório de pessoas desaparecidas.
Eles podem dizer-me quem eu sou.
Olá.
Nada.
As linhas devem estar desligadas após a tempestade.
Isso acontece o tempo todo.
Na praia, encontrou uma mochila?
Uma saco?
Sim, com um manuscrito dentro.
Você é escritor?
Não, bem, sim. É uma revista técnica. É complicado.
As minhas ambições levaram-me à cidade, para uma posição lucrativa.
Mas não deu certo.
Ela deve ter apanhado...
Quem?
Uma menina. Eu vi-a na praia antes de cair.
Não viste menina nenhuma.
Vi sim, uma jovem mulher.
Eu chamei-a, mas ela não me respondeu.
Eu segui-a, mas ela desapareceu por trás das rochas.
Ela não respondeu porque não há nenhuma menina.
Tu e eu somos as únicas duas almas nesta pedra abandonada de Deus.
Tu não estás nas tuas condições normais.
A tua imaginação está a brincando contigo.
Não... mas não posso ter a certeza de qualquer coisa no meu estado actual.
Eu tenho trabalhos a fazer.
Walsh. Meu nome é Walsh.
Espere! Espere, volte! Quero falar consigo.
O que é que provoca estes tremores?
Debaixo do penhasco é giz,
crivado com catacumbas,
corroído pelas ondas a partirem continuamente quando a maré chega.
Se isso é verdade, a fundação desta casa será comprometida.
É só uma questão de tempo.
Então vamos brindar à casa a desmororar no mar.
Não bebes? Não te preocupes.
Estou acostumado a beber sozinho.
Talvez eu podesse reforçar a fundação.
Evitar o inevitável?
É o mínimo que posso fazer para pagar a sua hospitalidade.
Afinal, se vou ser prisioneiro aqui, também poderia ser útil.
Faz o que quiseres.
Eu não entendo.
Digo que esta casa vai desmoronar na sua cabeça e tu apenas dás de ombros.
Como é que chamou a isto?
Uma prisão,
e estiveste aqui alguns dias.
Imagina ficares aqui uma vida inteira.
Esta península é um túmulo,
este farol uma lápide.
Perdoe-me se eu não derramar uma lágrima
na perspectiva da sua destruição.
Você não se importa com nada?
Uma vez importei-me.
Eu levei uma jovem esposa.
Prometi-lhe uma nova vida próspera na cidade.
Os empregos eram escassos.
Finalmente, quando estava desesperado por trabalho, eu trouxe-a para aqui.
O nosso namoro era atormentado. Ela era tão bonita,
tão...
vibrante quando nos conhecemos.
Mas, é difícil conhecer uma mulher depois de tão pouco tempo.
Ela ficou melancólica.
Durante semanas a fio, ela ficou desesperada.
Eu pensei que começar uma família faria-a sentir-se menos sozinha.
Mas ela não podia suportar o pensamento de uma criança
a sofrer aqui da mesma maneira.
A sua constante tristeza começou a irritar-me.
Eu só queria tirar a tristeza dela!
O que é que aconteceu?
Ela fugiu.
A mulher da praia...
Não há nenhuma mulher. Estamos sozinhos aqui.
Não, vi-a novamente hoje na floresta.
Não era uma alucinação. A minha mente estava clara.
A tua mente está clara agora? A tua memória voltou?
Sabes quem tu és? Podes dizer-me o teu nome verdadeiro?
Como pode ter tanta certeza de que estamos sozinhos?
Como pode ter a certeza que eu não vi a sua esposa?
Porque...
Eu vi-a...
cair no mar!
Venha deixar que os ritos funerários sejam lidos
deixa a canção do funeral ser cantada!
Um hino para ela
a maior dos mortos
que morreu tão jovem.
Uma lamentação para ela
a dupla morte em que
ela morreu tão jovem.
Por favor, perdoa-me.
Não deixes que a tua vela se apague.
Sempre... sempre mantem uma luz acesa.
Bom dia. O que tens aí?
Querosene. A lâmpada deve ser reabastecida constantemente.
Diz-me, há um caminho seguro depois da praia?
Uma escada, atira uma pedra daqui, naquele caminho.
Se tivesses esperado até a maré descer naquele primeiro dia
em vez da fazer a burrice de escalar o penhasco
teria sido óbvio.
Mantem-te afastado das cavernas. Elas são perigosas.
O que é que estás a fazer aqui?
Desculpa. Não queria assustar-te. Não te quero fazer nenhum mal.
Eu não sou a única a sofrer danos. Fala.
Tinha medo que desaparecesses de novo antes de ter uma chance de te dizer.
Devias ter aparecido.
Eu chamei-te tu não respondeste.
Eu já te vi duas vezes e desapareceste sem uma palavra.
Eu estava a começar a pensar que eras um fantasma.
Será que um fantasma faria isso?
Estás encharcado.
Senta-te perto do lume antes que morras.
Para alguém que estava tão desesperado
para falar comigo, não falas muito.
Desculpa, qual é o teu nome?
O que é que estás a fazer aqui fora? Estás sozinha?
Muitas perguntas.
Desculpa.
Falas muito.
O meu nome é Nora. E o teu?
Podes chamar-me de JP, eu acho.
JP. Que tipo de nome é esse? O que é que isso significa?
Eu não sei. O que é que achas?
Agora quem está a ser misterioso?
Não respondeste á minha pergunta.
O que é que estás a fazer a viver sozinha, aqui fora longe de tudo?
Os tempos são difíceis, isso não é segredo.
Eu pensei que este lugar seria... um refúgio, achava eu.
Pode ser perigoso lá fora para uma menina sozinha.
De alguma forma eu acho que poderia lidar contigo mesma.
Por que é que estás a olhar para mim assim, JP?
Conhecemo-nos? Eu sinto que te conheço.
Aposto que dizes isso a todas as miudas.
Nunca te sentiste assim com alguém que acabaste de conhecer?
Uma vez. Há muito tempo atrás.
Então diz-me,
há outra maneira de sair desta península que não seja por balsa?
Isso depende.
Do quê?
Do quanto sabes nadar.
Eu não posso nadar.
Vou-te ver de novo?
Sabes o caminho agora, não é?
Tu tens que ir? Vem comigo de volta ao farol.
Pelo menos por um pouco antes de voltares.
Não. Não posso.
Eu não entendo.
Não fales de mim ao Walsh.
Não falo de ti?
Por favor, JP. Ele é louco.
Nora espera!
O que é que estás a fazer?
Ouviste isso?
O quê?
Vozes.
Vozes? O que é que eles estavam a dizer?
Não sei.
Não estava bem claro. Mais de um murmúrio baixo.
Como o vento? Como o ranger de uma casa velha a instalar-se?
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