Polaris

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Polaris 2024 WEB-DL
A Commentary by EIGA_JAPAN

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Published on: 2024-01-22
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The first 200 lines.

Porra, mas qual é o problema?

Talvez eu tenha nascido assim.

Se você nasce e ninguém se importa, talvez seja assim pro resto da vida.

Você não merece ser amada.

Você nasceu assim.

Eu me sinto tão só, porra!

Sou tão só.

Eu me sinto como uma criança

que precisa de reconforto.

Sinto falta dos meus pais.

Mas a questão fundamental

é por que eles me colocaram no mundo.

Tudo bem?

Certo, então...

Mas que porra!

Vamos lá.

Porra!

Isso me enche o saco!

Sem rede.

Putz.

Não importa.

Era pra você atender agora.

Em alto-mar, ficarei sem rede uma semana.

Está me ouvindo?

Está me escutando?

Deixe pra lá.

Isso me enche o saco.

Vai bem, mana?

Sim, e você?

Melhor do que ontem. A bebê deve estar a caminho.

Putz, eu fico indignada!

Quanto mais perto,

mais parece que ela sairá por aquele lugar.

É a impressão.

Putz!

Está chegando a hora.

Eu vi imagens em um filme...

Eu nem quero ver!

Mas não dava pra mandar pra você.

Por mim mesma,

eu nunca olhei no celular essas coisas de parto.

Não quero ver,

senão, não vou pro hospital.

Só vou olhar, quando ela já tiver saído sozinha.

Desculpe, mas a sua irmã está sem rede.

Ligamos depois, certo?

Princesa.

Sim.

Pode tirar uma foto?

Sim.

Que bebê linda!

Não sei como ela pegou peso.

Eu só comia porcarias, lanches...

Ela não precisou de incubadora,

nasceu com um peso bom.

É uma bebê linda e normal.

Coitada.

Bebê.

- Pare a mamadeira. - Sim.

Ela fica confusa.

Por causa da mamadeira?

Não é a mesma sucção.

Nem dê bico até ter bastante leite.

Ela mama muito bem.

Ela ainda não sabe...

Não tem a mesma forma que a mamadeira.

Ela tem que sugar mais pro leite sair.

Isso incomoda.

Como a senhora me disse,

talvez seja isso...

Não, olhe só.

Tem leite.

Sim, tem bastante, então não precisa de mamadeira,

com certeza.

Muito bem, fofa.

Uma hora, ela mama no peito, outra, na mamadeira.

Ela fica confusa.

Exato, isso incomoda.

Mas ela mama muito bem. Tem bastante leite.

Veja.

Seria uma pena.

- Eu prefiro amamentá-la. - Claro.

É melhor para ter anticorpos.

Eu não lembro de um único instante de ternura com a minha mãe, nenhum.

Fui visitá-la na prisão.

Ela veio nos ver na família adotiva toda chapada.

Ela sempre prometia que ia se tratar pra parar

e nos pegar de volta.

A gente esperava, esperava e nada acontecia.

Você pensa: "Ela não me ama o bastante pra deixar disso."

Eu lembro dela

saindo da prisão.

Teve um instante agradável antes de ela morrer.

Eu tomei um café com ela.

Um café. Eu já era uma mulher adulta.

Eu acho que ela tinha perdido alguns dentes.

Também lembro que eu me disse que ela não era uma má pessoa.

Eu não queria ter tido a vida dela.

Ela não foi a minha mãe.

Ela me colocou no mundo, mas nunca foi mãe.

O médico me disse que eu fiz uma bebê extraordinária.

É mesmo?

A cabeça do bebê em geral faz assim...

Não fica reta.

Mas ela é assim...

Procura o peito o tempo todo.

Maluquinha.

No primeiro dia, quando ela abriu os olhos,

fiquei impressionada e contei pra todo mundo.

Eu já vi bebês,

mas em geral não abrem os olhos no primeiro dia.

O médico disse que ela tinha os olhos bem abertos.

Ela é bem viva.

- Obrigada! - Boa sorte.

Venha logo!

Talvez ela esteja tentando dizer algo.

Você vivia correndo com ela na barriga.

Ela não teve descanso.

Agora você não terá descanso.

Há pouco eu estava falando isso perto dela no quarto.

Eu não imaginava que carregava essa beleza.

Eu estava falando sozinha como uma louca!

- Sou doida, né? - Um pouco, sempre foi.

Anteontem, eu chorei.

O que a minha filha vai me dizer?

Sobre o quê?

Onde estão o vô, a vó e os primos?

Ela vai ser tão...

- Não se preocupe. - Ela não vai ter pai...

E daí? Não é a primeira, nem a última.

Isso me deixa...

Não fique pensando nisso, tem muitas crianças assim felizes.

Isso me deixa doente.

Só falar nisso já me deixa...

Ela não é infeliz.

Ela tem mãe, tia.

Já é alguma coisa, Leila.

Leila, está me escutando?

Me diga até amanhã

se precisa de dinheiro, antes de eu viajar.

Senão, só daqui a 15 dias.

Tomara que a minha irmã mude o destino das Mokhenaches,

a sina dessa família.

Às vezes, eu acho que essa família é amaldiçoada.

Tem uma maldição.

É assustador ver isso por tantas gerações.

Uma mulher dar à luz, abandonar a criança,

ir presa, fumar.

Eu vi isso, a Leila viu isso, a minha mãe viu isso.

A sina se reproduz.

Mas nós seremos a referência.

Então, se uma geração quebrar essa sina,

nós daremos uma chance à próxima de ter novas referências.

Espere aí.

Tem algo bloqueado.

Estou com fome.

Estou com fome!

Como?

O que foi?

Estou com fome.

Vou buscar algo. Doce ou salgado?

Salgado.

Salgado.

Mas a Marion está fazendo

ovos com purê de batatas.

Ovos com purê de batatas?

Posso esperar um pouco, depois trocamos pra eu ir comer.

Pego algo pra beliscar.

Ela precisa do meu cheiro.

Não gosta de ficar sozinha.

O seu cheiro de cigarro!

Já nasceu assim.

Sabe o que eu pensei?

Ela ficará viciada nesse cheiro

e acabará fumando.

Quebro a cara dela.

Sim, claro.

Não, mas uma criança entende.

Por que nós fumamos?

Crescemos com esse cheiro.

Como adultas, precisamos dele.

Só na sua cabeça, Hayat.

Não, está comprovado.

A Inaya fará esporte e saberá que fumar não leva a nada.

Mas o cheiro permanece na memória.

O cheiro do cigarro da mãe é um reconforto.

Hayat, só uma coisa.

Quando ela mamava, eu fumava.

Agora que eu parei, ela tem umas crises.

Assim, agora menos.

Ela puxa os cabelos.

É engraçada.

Como está fazendo agora.

Pronto, ela já tomou banho.

Ela fica bem assim até de manhã.

Você lê histórias pra ela?

Como se eu soubesse ler!

Será um bom treino.

Vou ler assim:

"Eu... sou..."

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