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Sai!
Obrigado, senhores. Com cuidado, por favor.
Iguana Marinha Encontrado por Miss Mary Anning Lyme Regis
ICTIOSSAURO - LYME REGIS Oferecido pelo Exmo. H HOSTE HENLEY
Mary!
Não devias ter saído?
Precisava de mais conchas.
As amonites.
E madeira flutuante.
Antes que eu fique doente.
O que estás a fazer?
Sim?
Não, por favor, não quero incomodar. Fico satisfeito a vê-la trabalhar.
-A loja está fechada, senhor. -É maravilhoso, não é?
Cornu ammonis?
Amonite.
-Está partida. -Continua a ser um bom exemplar.
Quer alguma coisa, senhor?
Desculpe. Deixe que me apresente, Miss Anning. Roderick Murchison.
Devo confessar que estou fascinado.
A sua reputação é algo de que ouvi falar muito
na Sociedade Geográfica em Londres.
-O clube masculino. -Sim, bem...
De facto.
Mas o seu conhecimento e aptidão são lendários.
E na minha excursão arqueológica pelo continente,
quis aproveitar para a conhecer.
E aqui está, a trabalhar.
Pensei que os bons homens de Londres
já não estavam interessados nos meus fósseis marinhos.
Já não estão na moda, não é verdade?
De facto. Mas eu cheguei um pouco tarde.
E como poderia não querer conhecer a atual deusa de Lyme?
O habitual seria o senhor escrever-me
para marcar um dia, não aparecer sem avisar.
Sim, é imperdoável.
Pode não mexer nisso?
Desculpe. É a minha esposa, a Mrs. Charlotte Murchison.
Senhor, como vê, já não escavo fósseis grandes.
Vi aquele fóssil no Museu Britânico.
Um ictiossauro completo. Estou certo?
E foi a senhora que encontrou?
É fascinante.
Gostaria de lhe comprar esta amonite,
mas tenho de ser sincero.
O que gostaria mesmo
era passar algum tempo consigo a trabalhar na costa,
a ver o que faz.
Já não faço visitas guiadas.
Não sou um turista, Miss Anning. Sou um cientista, como a senhora.
Um homem do novo mundo, e vim aprender o que puder consigo.
E claro, estaria disposto a pagar-lhe pelo seu tempo.
E claro, como é um inconveniente para si,
estaria disposto a pagar bem por uma sessão privada.
E também quero comprar esta bela amonite, claro.
Não é um trabalho fácil.
-Ainda bem. -Não prometo que encontremos nada.
Como é óbvio.
-Muito bem. -Esplêndido.
Não sabe o que isto significa para mim.
Os meus amigos irão invejar-me.
Tem uma sala de jantar mais silenciosa?
Sim, senhor, mas...
Esta música é opressiva para a situação.
-Podemos...? -Não te metas.
-A sopa é de quê? -De lebre.
-Quero as ostras. São lardeadas? -À la mode, senhor.
-Perfeito. E o bife de vaca. Malpassado. -Muito bem, senhor.
Aipo braseado, batatas cozidas. Molho de natas para as batatas.
Pode trazer a carta dos vinhos? Não. Uma garrafa de tinto de Bordéus.
Temos de 1926 e 1935.
De 1935.
E a minha esposa irá comer peixe branco. Assado, sem molho.
Não é boa altura para fazer outro bebé.
Miss Anning.
Miss Anning.
Desculpe. Estou atrasado?
-A idosa da loja... -A minha mãe.
Claro. Desculpe. A sua mãe disse que estava aqui.
Estava uma manhã agradável e com a maré baixa.
Não pude esperar.
Sim, claro. Só não queria perder nada.
Bem, está aqui agora.
Sim.
Nada.
Rocha de calcita. Calcário.
-Cristal de calcita. -E esta?
Olhe para isto.
Tem uma amonite dentro.
Mas a cova diz-me que está esmagada.
Podia tentar tirá-la, mas não sairia bem.
Isto é bom.
Coprólito. Muito bom.
Não conheço este tipo.
Se olhar com atenção,
vê pequenas espinhas de peixe.
As manchas pretas minúsculas
são escamas.
-Vai ficar bonita polida. -Obrigado.
-Mas o que é? -Fezes fossilizadas.
-Desculpe? -Sim, Mr. Murchison.
Merda.
A maré vai subir em breve. É melhor regressarmos.
Charlotte, olha o que encontrámos.
Charlotte?
-O que estás a fazer? -A tirar-te deste quarto.
-Não quero. -Não tens escolha.
Não podemos continuar assim, Charlotte. Pareces uma sombra.
Não vai dar.
É loucura achar que estarás bem para viajar comigo.
Precisas de mais tempo para recuperar.
Roddy.
Lyme parece ser o sítio perfeito para ti.
Esta expedição é longa.
O médico mandou-te descansar.
-Ir ao mar. -Não gosto de água.
Poucos estímulos.
Quero a minha mulher inteligente e engraçada de volta.
Não quero ficar sozinha.
Passa-se alguma coisa?
A minha esposa, Charlotte, não tem andado muito bem.
Ela sofre de...
Bem, talvez seja melancolia leve.
O médico disse que a maresia faria bem, mas não tem resultado.
Tratei de tudo para que continue aqui.
E apesar de saber que cuidariam dela,
ela ficaria sozinha.
Pensei que...
Bem, tenho esperança.
Seria uma boa oportunidade
se ela caminhasse consigo.
-Caminhar? -Sim.
Pela costa. E aprendesse consigo.
-Não quero uma aprendiz. -Não, claro.
Não posso passar os dias a cuidar de uma inválida.
Não, e não seria preciso.
Ontem, foi muito amável comigo ao partilhar o seu conhecimento.
Gostava que fizesse o mesmo com a minha esposa.
Irá proporcionar-lhe um interesse.
E seriam apenas quatro semanas.
Talvez cinco.
Mas não mais que seis.
Desculpe, Mrs. Murchison,
mas o Mr. Murchison mandou-me ajudá-la a vestir-se para sair.
Não vou.
Desculpe, Mrs. Murchison, mas o Mr. Murchison insistiu
que a tire da cama e a vestisse imediatamente.
Por favor, não me atire mais nada.
O que é?
Algo. Nada.
Não devia escavar?
Não é isso que faz? O meu marido disse que era o que me ia mostrar.
Vou ser clara.
Não a quero aqui.
O seu marido pagou-me para estar consigo.
Não me interessa se quer estar aqui ou não.
Mas, por favor, não questione nem me diga como fazer o meu trabalho.
Vim para recuperar da minha doença.
Para me banhar e caminhar, não para trabalhar como cabouqueiro.
"Banhar"?
Sugiro que me deixe em paz e se vá banhar.
-O meu marido... -Ele partiu.
Não me parece que tenha nada de errado.
Já está, rapaz!
Mãe!
Mãe! Merda.
Mãe!
É novo.
Sim.
Estrangeiro?
Sim.
Parece ter febre alta. Ela apanhou frio ontem?
-Apanhou chuva? -Não sei.
Talvez tenha ido ao mar.
Sim, tortura com água.
Vai precisar de cuidados.
-Noite e dia. -Não sou enfermeira, doutor.
Mal a conheço.
Pois.
Miss Anning,
é o dever de uma mulher cuidar de outra mulher, não é?
Mantenha-a quente, mas não demasiado.
E compressas frias devem ajudar a reduzir a febre.
Vou escrever ao marido dela e pedir que tragam os seus pertences.
E, por favor, chame-me se algo mudar.
Uma boa tarde.
Quanto tempo é que ela vai ficar?
Devias mandá-la para casa, para Londres.
Não é nossa responsabilidade.
Ela pode morrer, mãe.
Como vamos sobreviver enquanto fazes de empregada?
Arranjamos forma.
Se ela vai ficar em minha casa, com cuidados constantes
e na tua cama,
o marido tem de pagar mais.
Não.
Não.
Eu não...
Eu não a vi...
...no chão.
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