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NA ILHA DE MANHATTAN,
HÁ DOIS ESQUADRÕES DEDICADOS A HOMICÍDIOS:
A UNIDADE MANHATTAN NORTE E A MANHATTAN SUL.
ELES INVESTIGAM OS ASSASSINATOS MAIS BRUTAIS E DIFÍCEIS.
ESSAS SÃO AS HISTÓRIAS DELES.
Olá.
Meu nome é Kenneth Kimes.
Você não me conhece.
Pode achar que me conhece, mas não conhece.
Pode achar que conhece minha mãe, mas não conhece.
Meu filho e eu somos inocentes.
Há uma grande farsa maligna acontecendo.
A polícia cometeu um erro terrível.
Com Sante e Kenny Kimes,
há algo mais do que uma relação de mãe e filho.
Pessoas que parecem ter passado pela vida dos Kimes desapareceram.
Recebi uma ligação. Minha amiga Irene sumiu.
Tínhamos uma socialite de 82 anos que desapareceu da casa dela.
Todos os dias,
sem exceção,
me ligavam do escritório do comissário de polícia
com uma pergunta simples:
"Onde está a Irene?"
Não sabemos onde ela está, mas rezamos por ela.
Rezo com meu filho às 23h todas as noites.
Oramos para que ela esteja bem, mas não sabemos onde ela está.
Somos inocentes, e se tivermos nossos direitos,
vamos provar.
Nosso trabalho é garantir que você possa dormir à noite.
É tão importante para uma família saber quem matou seu parente.
Compaixão pelas vítimas.
Isso é o mais importante.
Sempre gostei de espiar pela cortina.
O que aconteceu?
Você quer descobrir a verdade.
É o que detetives fazem.
Seu instinto é ajudar as pessoas.
Na cidade de Nova York, o Departamento de Polícia…
É aqui.
HOMICÍDIO: NOVA YORK
Em 1997, eu era policial em Nova York há dez anos
quando fui promovido a detetive de 3ª classe.
E fui transferido da 34ª Delegacia em Washington Heights
para a 19ª Delegacia, que é o Upper East Side de Manhattan.
É provavelmente a parte mais rica de Nova York.
Tínhamos homicídios, mas não se comparava a outras delegacias.
No primeiro ano na delegacia, houve um roubo na Quinta Avenida.
Então fomos até lá, e é o apartamento da Mary Tyler Moore.
Esse é o tipo de caso em que trabalhávamos.
A delegacia cobre da Rua 59 até a Rua 95,
da Quinta Avenida até o East River.
É um grande quadrado.
E há muitos arranha-céus, então é muito populoso.
Quando fui transferido, tive um choque cultural.
Eu fui do porão para a cobertura de uma vez.
4 DE JULHO DE 1998
5 DE JULHO DE 1998
Em 1998, no fim de semana do Quatro de Julho,
era uma cidade fantasma, especialmente o Upper East Side.
Todos vão para os Hamptons, em Long Island.
Em 5 de julho, havia eu e mais dois detetives trabalhando.
Os outros estavam de folga.
18H32
Recebemos uma ligação sobre uma pessoa desaparecida
de um funcionário de uma mulher de 82 anos, Irene Silverman.
Sou o detetive júnior, então os outros disseram:
"Garoto, é seu. Vá em frente." Pensei: "Merda."
Ninguém quer os casos de pessoas desaparecidas.
Geralmente, alguém fugiu ou foi passar o fim de semana em algum lugar
e não contaram a ninguém.
Geralmente voltam, e o caso é encerrado.
Mas tínhamos que verificar.
Então fomos até a casa dela.
Era em um ótimo quarteirão na Rua 65, perto da Avenida Madison.
Eu era um detetive de segunda classe
que cresceu nos conjuntos habitacionais em East Harlem.
A primeira coisa que pensei foi:
"Deve ser a primeira vez que entrei em um prédio multimilionário."
Era uma bela casa de pedra calcária de cinco andares com uma cobertura,
um deque no telhado.
Eu não tinha ido a muitos prédios que me tiraram o fôlego,
do tipo: "Nossa! Isso é muito caro. Esta é realmente uma mulher rica."
Quando chegamos à casa, não tem ninguém lá,
só a governanta da Irene Silverman e Jeff, que era assistente pessoal dela.
Os funcionários nos disseram:
"Ontem, ela deu uma festa de Quatro de Julho.
Tinha muitos convidados. Eles se divertiram."
Na manhã seguinte, cerca de 11h45,
foi a última vez que um funcionário a viu.
Irene ia dormir um pouco.
Mais tarde, por volta das 16h30, 17h,
Marta bate na porta do quarto de Irene,
e Irene não responde.
Ela entra no quarto e percebe que Irene não está lá.
Nunca vou esquecer. É um dos dias mais tristes da minha vida.
O telefone tocou e era o Jeff.
E pelo tom de voz, percebo que é algo muito sério
e que algo errado está acontecendo.
Jeff só diz: "Irene está com você?" Eu disse: "Não."
Então, a próxima coisa que Jeff diz é:
"Esperávamos que ela estivesse com você,"
porque geralmente passamos o domingo juntos.
Ele disse: "Ela está desaparecida desde o meio-dia."
Eu disse: "O que houve?" Ele disse: "Não sabemos."
Então eu disse: "Vou até aí."
Quando chego na casa, toda a equipe estava lá.
De repente, todos estavam sem entender,
porque a dona da casa tinha sumido.
Os funcionários disseram que Irene nunca sairia sozinha.
Sempre ia acompanhada, para fazer compras ou o que for.
Alguém ia com ela.
Mas também disseram que era uma mulher muito esperta.
Não tem Alzheimer. nem demência, nada disso.
GRAVAÇÃO DA POLÍCIA
Revistamos a casa toda.
Começamos a rastrear os convidados da festa,
pegamos os nomes para interrogá-los também.
Os funcionários disseram que as chaves dela sumiram.
E que ela sempre tinha dinheiro em espécie,
e faltavam 10 mil dólares.
Eles nos mostraram onde ela guardava o dinheiro,
e o envelope sumiu.
Os funcionários dela
nos disseram que ela os tratava como família.
Fiquei impressionado de como se importavam com Irene.
Isso diz muito sobre o caráter da Irene Silverman.
Seus funcionários a amavam,
eram dedicados e queriam o melhor para ela.
Disseram que ela não tem família.
Era uma socialite.
Se gostasse de você, você se tornava amigo dela,
era convidado para festas, para a casa dela.
Era parte da família dela.
Quanto mais eu sabia sobre ela, mais eu gostava dela,
e gostaria de passar um tempo com ela.
Quando ela dá uma festa, ela é o centro das atenções.
Como no filme A Mulher do Século.
Alan, querido, que bom vê-lo. Edna, eu liguei ontem. Onde…
- Olá, Mame. - Olá. Eu já vou.
Ela recebia como ninguém.
Conheci Irene Silverman em 1994.
Eu estava no auge da minha carreira.
Fui o primeiro estilista asiático a ser promovido pela Anna Wintour.
Fui a uma festa de Natal muito chique.
Minha amiga correu para a cozinha e disse:
"A grande dama acabou de chegar.
Deve conhecê-la. Todos querem conhecê-la."
Fui apresentado a ela.
Mesmo sendo pequena, com 1,50m de altura,
ela era maior que a vida.
Ela era tão glamorosa, o jeito como se vestia,
como se portava.
Ela disse: "Venha tomar um chá comigo."
Fiquei lá até depois da meia-noite.
Nós nos divertimos muito.
Ela tinha ótimas histórias para contar.
Aos 17 anos, ela foi uma das bailarinas do Radio City.
Durante uma das apresentações, Samuel Silverman estava na plateia,
e ficou apaixonado pela Irene.
Depois de um namoro, eles se casaram.
Ele trabalhava com finanças,
e Irene passou a viver uma vida muito, muito glamorosa.
Depois que o marido dela faleceu,
ela passou a se sentir solitária nesta enorme mansão.
Então, para se entreter,
ela alugou todos os quartos lindos para pessoas muito ricas,
pessoas que não queriam ficar em um hotel.
Os funcionários dela nos disseram que, nos fundos,
de frente para a entrada, havia uma porta.
E essa porta era de um apartamento no primeiro andar.
Ela alugou o apartamento para um homem branco chamado Manny Guerin.
Os funcionários disseram que Irene
checava os antecedentes dos inquilinos.
No entanto, neste caso, ela não o fez.
Um açougueiro que Irene utilizava, que era um amigo em comum,
recomendou a casa da Irene para Manny Guerin.
No dia 14 de junho, ele pagou 6 mil dólares por um mês adiantado,
em dinheiro.
RECEBIDO 6 MIL EM DINHEIRO PRIMEIRO MÊS DE ALUGUEL DO 1B
Os funcionários dizem que, assim que ele entrou no prédio,
Irene achou que ele não era uma boa pessoa.
Ele sempre ouvia Irene falando com os funcionários no saguão.
E eles sabiam disso
porque viam os pés dele perto da porta da frente.
Os funcionários disseram
que Manny trazia escondido ao prédio uma mulher chamada Eva.
Era uma mulher mais velha, bem vestida.
Manny dizia que trabalhava com a Eva,
quase como uma assistente.
Quando entramos no escritório da Irene, há papéis na mesa dela,
e anotações que ela escreveu sobre o inquilino do 1B.
Diziam que ele era muito suspeito. Ela não confiava nele e o queria fora.
Ela fez um desenho dele e uma descrição de sua altura.
APROXIMADAMENTE 1,79M
Ela escreveu que ele parecia um preso.
Eu me lembro do primeiro dia em que Manny se mudou para o espaço alugado.
Eu estava almoçando com a Irene no subsolo.
E ouvimos a porta do elevador se abrir.
Irene enviou Marta, que era a empregada, até o elevador e disse:
"Por favor, diga ao Manny, o inquilino, que é uma área privada.
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