The first 200 lines.
Agora eu percebo,
olhando pra trás…
por que ele virou muito mais que um jogo de hóquei.
Num ano diferente,
com um adversário diferente, numa época diferente,
não seria a mesma história.
Em escala nacional, as pessoas se mobilizaram.
E isso ainda faz as pessoas sorrirem.
É uma alegria incontrolável.
Aquilo ajudou a gente a voltar a ser o que era
e ao que esperava ser de novo.
Como país, a gente precisava disso.
E fomos nós.
O que temos em mãos é o evento esportivo mais raro.
Um evento que prescinde preparação, sem adjetivos supérfluos.
Os EUA e a União Soviética
sobre o gelo em Lake Placid, estado de Nova York.
Os EUA, claramente o azarão.
Não éramos estrelas. Éramos comuns.
Uns caras nada dignos de nota.
Vão ter que vencer os russos, o melhor time nesse esporte.
Eles iam passar por cima da gente. Era assim o domínio dos soviéticos.
O confronto final: a URSS contra os EUA.
Lake Placid parece uma continuação da Guerra Fria.
Foi mais do que hóquei. Foi o nosso estilo de vida contra o deles.
O hóquei nem era popular nos EUA,
até que neste momento irrepetível e peculiar, ele teve que ser.
Tivemos a audácia de acreditar.
E adivinha?
O país disse: "Se é."
Foi um capítulo da história americana.
Um tiro rápido desviado pra dentro.
Uma defesa de Craig, outro tiro de Petrov.
Estados Unidos!
Pavelich levando, passa pra Schneider.
O tiro rápido entra!
Foi um evento único que não pode ser duplicado.
Lá vêm. Silk, passe no centro.
Gol! O jogo está empatado.
E os EUA podem estar prestes a fazer parte
da maior zebra na história olímpica recente.
As pessoas dizem: "O que supera isso?"
E eu digo: "Nada."
Você acredita em milagres?
FENÔMENO NO GELO: HÓQUEI NA GUERRA FRIA
É aqui, Buzz.
É legal voltar.
45 ANOS DEPOIS
Olha a seção seis, onde nossas famílias se sentaram.
- Ali. Do meio pra cima, eu me lembro. - É, bem ali.
Pra mim, agora parece menor.
O que eu me lembro é do barulho alto.
Estados Unidos!
VAI, EUA!
Dava pra sentir, sentado aqui,
e passei muito tempo sentado aqui, mas…
Entrando aqui agora,
penso bem mais nesses caras e na camaradagem.
Acho que a gente nem imaginava que fosse acabar assim.
Sabíamos de gente empolgada em Lake Placid,
família e amigos empolgados em casa,
mas não tínhamos noção alguma
de que este evento viraria o que virou.
Na época, não tinha muito o que comemorar.
CRISE ENERGÉTICA: 1,2 MI SEM EMPREGO
Você via as notícias e sorria como?
RECESSÃO
E fomos aquele estopim que…
A gente meio que reacendeu todo mundo.
De todos os esportes, o hóquei no gelo mobilizar um país
nos surpreendeu.
Um a um. Faltam dez minutos e meio no 1º período.
ANOS 70
Antes de 80, os EUA não era uma potência no hóquei.
Desviou pro gol!
Você vencia eles fácil.
O time dos EUA vem tendo dificuldade.
Os EUA vão só perder este jogo.
Finalizaram quase três vezes mais que os americanos.
Os EUA foram a zebra do jogo de hoje.
Nos EUA, o hóquei era um esporte nichado.
REPÓRTER
Não se jogava no Mississippi nem no Texas.
Fui contratado pelo Globe no final de 1973.
Eu era repórter de hóquei, e os EUA eram de segunda categoria.
Talvez fossem o sétimo ou oitavo no mundo.
A sensação era: esses caras não têm chance.
Os soviéticos eram os melhores do mundo.
Não mostravam que iam desacelerar em 1980. No mínimo, pareciam melhorar.
Eles só ganhavam, pareciam imbatíveis.
A questão em 1980 é que seria um jogo em casa.
E pensamos: "E se perdermos de 15 a 1 pros russos na TV?"
O comitê olímpico dos EUA não queria que passassem vergonha.
Eles precisavam fazer diferente.
Joguei pelos Estados Unidos no campeonato de 1979
e virei assistente técnico.
TÉCNICO DE HÓQUEI DOS EUA
Era sorte ganharmos um jogo que fosse.
E quase nunca ganhávamos.
Precisávamos de uma mudança.
E o Herb era perfeito pra isso, ele tinha ideias.
TÉCNICO DOS EUA
Muitos aqui estão pra entrar na elite do hóquei de Minnesota.
UNIV. DE MINNESOTA
Nada vai dar mais orgulho, senhores. Vamos nos preparar, vamos lá.
O Minnesota, com o Herb como técnico, estava numa onda de sucesso.
Os dias do Herb Brooks eram de dominação,
ganhando campeonatos nacionais em 1974, 1976 e 1979.
Era o melhor técnico do país.
E ele apresentou um estilo que nenhum de nós conhecia.
Vai ser mais um jogo de patinação, um jogo de passe.
Não queremos abandonar o físico.
Meu pai era um técnico nato e o mais competitivo possível.
FILHO E FILHA DE HERB BROOKS
Ninguém era mais competitivo.
BROOKS VIRA TÉCNICO
Ele veio organizado.
Ninguém tinha pegado uma equipe,
jogado 60, 70 jogos e levado aos Jogos Olímpicos.
Isso foi novo.
SELETIVAS DA EQUIPE OLÍMPICA JULHO DE 1979
Pros atletas no Festival Nacional de Esportes em Colorado Springs,
aqui marca o começo de um sonho.
Uma chance de representar o país nas Olimpíadas.
BROOKS BUSCA TALENTOS
O último ouro dos EUA no hóquei foi em 1960,
em Squaw Valley.
O desafio de Herb Brooks em Lake Placid, em 1980,
com certeza é enorme.
Pessoal, queremos mostrar uma filmagem.
Nossa, quem é?
Se for um dos caras, lutando por uma posição,
você torce pra ser um dos 25 que vão fazer parte do time.
- É o Janny? - É o Janny!
Como todos sabíamos que era você?
Fizeram um gol.
Pelas regras olímpicas da época, não podia ser pago pra jogar seu esporte.
Então, quem jogava na NHL não podia participar.
O time americano tinha isso: eram todos amadores.
Azarões, jovens, nenhum fazendo pelo dinheiro.
Decidi fazer o que fosse pra estar pronto e preparado pras seletivas,
então treinei mais do que já treinei na vida.
UNIV. DO MINNESOTA
Eu chamaria de entusiasmo tenso.
Era o seu momento.
UNIV. BOWLING GREEN
Tudo que eu queria era jogar no time olímpico.
UNIV. DE DAKOTA DO NORTE
Era um território desconhecido pra todos nós.
Ninguém tinha passado por isso.
UNIV. DE WISCONSIN
HERB BROOKS DEFINE ELENCO
Eles nomearam 26 caras.
TIME SELECIONADO EM 1º DE AGOSTO
Só tinha 20 vagas nos Jogos.
Sem garantias de entrar nos 20 finalistas.
Toda vez que os melhores jogadores do país
disputarem 20 vagas, você vai ficar nervoso.
6 MESES PROS JOGOS OLÍMPICOS
O Herb fez um intensivo de seis meses.
Ele queria fazer os caras virarem um time.
O desafio era o que ele chamava de "regionalismo".
Queremos a melhor equipe possível.
A Univ. de Minnesota, ou o estado de Minnesota,
produziu muito pros programas olímpico e internacional.
PAÍS DOURADO
O principal era o pessoal de Minnesota,
o que fazia sentido
porque eles tinham acabado de ganhar um campeonato nacional jogando pro Herb.
Vocês eram da elite do hóquei de faculdade?
A gente gosta de pensar que éramos a elite.
UNIV. DE MINNESOTA
A equipe era boa.
Só de receber um convite pras seletivas olímpicas
já era a melhor coisa de todas.
E da Universidade de Boston…
UNIV. DE BOSTON
…tinha os quatro caras de lá.
Eu.
UNIV. DE BOSTON
O Jack O'Callahan,
o Mike Eruzione
e o Jim Craig.
Acho que teve uma competição saudável
entre os caras do leste jogando no centro-oeste.
Pra nós, de Boston,
tinha uma antipatia pelos caras de Minnesota, que jogaram com o Herb.
Os caras de Minnesota se achavam e chamavam os de Boston de "fracotes".
Achavam a gente "engomadinhos". Engomadinhos? Como assim?
Tanto faz. Que besta.
Eu não curtia aqueles caras.
O Herb me disse:
"Os caras que vamos ter no time não se gostam."
Muitos foram grandes rivais antes de entrar nesta equipe.
Temos que trabalhar essa química.
Não podemos ser nossos rivais, no gelo ou fora.
4 MESES PROS JOGOS OLÍMPICOS
Foram uns 60 amistosos antes das Olimpíadas, acho.
Foi puxado.
Fomos umas semanas jogar na Holanda, Noruega e Finlândia.
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