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Bem-vindo ao segundo maior continente do mundo
e berço da Humanidade,
África.
Há vários mitos em torno das paisagens banhadas pelo sol quente
e das pessoas que disputam todo e qualquer pedaço de terra inabitável
das areias desertas e da selva impenetrável.
África, com os seus elefantes, camelos, leões
e gorilas,
que habitam as florestas tropicais sombrias,
os desertos quentes e as savanas extensas.
Mas o continente é mais do que a sua vida selvagem única.
Pó, calor e sol.
São as associações que fazemos ao nome África.
Todos estes termos referem-se ao norte do país,
que é dominado por um deserto único, imenso e sem fronteiras.
Por muito hostil que o deserto possa parecer à primeira vista,
um olhar mais atento poderá surpreender-nos.
E embora as florestas tropicais ao longo do equador
possam parecer o paraíso na Terra devido à temperatura e à precipitação,
a selva esconde perigos tão letais como o calor do deserto.
Esta aparente contradição entre floresta e deserto,
chuva e pó, vida e morte,
descreve África como nenhuma outra parte do mundo
e pode ser vista uma e outra vez em todo o continente.
Foi nesta paisagem turbulenta e perigosa
que o primeiro antepassado do Homem desceu de uma árvore,
criando o marco
para a marcha triunfal da Humanidade.
Vamos explorar a história deste recanto único do planeta
e descobrir alguns dos mais magníficos lugares
do mundo.
A Terra está coberta por diversas zonas climáticas
que favorecem o desenvolvimento de flora e fauna específicas
em cada continente.
Outrora, gigantes florestas caducifólias…
FLORESTAS CADUCIFÓLIAS
… cobriam quase toda a Europa.
Só não vemos esta floresta temperada na costa mediterrânica…
CLIMA MEDITERRÂNICO
… devido ao clima mais seco e quente do Mediterrâneo.
ESTEPE ASIÁTICA
A oriente, a vastidão da estepe asiática,
que se estende pelo maior continente do mundo.
FLORESTAS BOREAIS
A norte da estepe, as florestas boreais
dominam as paisagens da Sibéria e do Extremo Oriente.
Contudo, nas regiões a sul da Ásia,
sobretudo no Médio Oriente…
DESERTOS E SAVANAS
… são mais comuns as paisagens de deserto e savana.
No sudeste asiático, as florestas tropicais estendem-se…
FLORESTA TROPICAL
… até às ilhas da Indonésia.
No coração da soalheira Austrália, um deserto é rodeado
de uma diversidade de savanas, estepes e florestas tropicais.
DESERTOS, SAVANAS, ESTEPES
No novo mundo,
composto pela América do Norte, Central e do Sul,
observa-se uma grande diversidade climática.
O norte caracteriza-se pela tundra e pelas florestas coníferas…
TUNDRA E CONÍFERAS
… mas no centro do continente norte-americano…
PRADARIAS E DESERTOS
… dominam grandes planícies, paisagens temperadas
e algumas regiões desérticas.
Na América do Sul, vastas extensões de floresta tropical
formam-se ao longo do Amazonas,
enquanto o clima muitas vezes inóspito da Cordilheira dos Andes
representa o extremo oposto.
FLORESTAS TROPICAIS
No centro de todos estes continentes e zonas climáticas
encontra-se África.
Os desertos cobrem as regiões norte e sul da costa ocidental.
No centro, encontramos a selva africana.
A floresta tropical e o deserto são separados por extensas savanas
com diferentes tipos de clima.
Embora, à primeira vista, África possa parecer agreste
e menos interessante do que os outros continentes,
é, de facto, o continente mais singular do nosso planeta.
O que torna África tão especial?
A imagem mais marcante de África
são os gigantescos grupos de animais
que percorrem grandes distâncias em busca de alimento.
No entanto, não é só a grande quantidade de animais,
mas também a grande diversidade de flora e fauna
que distingue o continente.
Para além da biodiversidade ímpar de África,
o legado como berço da Humanidade confere-lhe uma riqueza extraordinária.
Durante milénios,
as várias culturas das então jovens espécies
evoluíram de forma muito diferente
e fizeram convergir em África uma multiplicidade de formas de vida.
DESERTO
Mas, apesar do longo período
de presença do Homem em África,
o continente continua a esconder muitos segredos
nas suas profundezas.
Vastos e infindáveis, queimados pelo sol abrasador,
são assim os desertos de África.
SARA
Para norte, estende-se o Sara,
o maior deserto seco do planeta,
que cobre praticamente todo o norte de África.
As suas dunas e vales estão por trás de muitas lendas e contos.
Outrora o centro de inúmeros reinos
e atravessado pelas caravanas de sal dos tuaregues,
é agora um território quase despovoado.
DESERTO DO NAMIBE
Mais a sul, encontra-se o Namibe,
um dos raros desertos de névoa.
Cobre grande parte da Namíbia e de Angola
e tem uma área de quase 100 mil quilómetros quadrados.
O Namibe é um dos desertos mais secos do planeta
e caracteriza-se, entre outros,
pelas dunas extremamente altas e coloridas.
DESERTO KALAHARI
No coração da bacia do Kalahari situa-se o deserto Kalahari,
que se distingue dos outros desertos
pela sua areia avermelhada.
Com cerca de 900 mil quilómetros quadrados,
estende-se por vários países africanos.
Toda a bacia do Kalahari,
envolvida por savana seca nas suas margens,
é ainda mais extensa.
Onde quer que um deserto se encontre,
é instintivamente visto pelos humanos como um lugar sem vida,
mas os desertos são mais do que apenas grandes caixas de areia mortas.
Majestosos, os picos de algumas montanhas isoladas
elevam-se muito acima das dunas do deserto,
cadeias de montanhas que contrastam
com a textura suave e uniforme do deserto.
Longe da vastidão do mar de areia,
os picos montanhosos sobressaem como ilhas solitárias.
Muitos destes afloramentos isolados
são dunas petrificadas
que podem formar planaltos.
Outras montanhas solitárias são, muitas vezes, de origem vulcânica.
No entanto, as cadeias montanhosas
podem ser testemunhas de uma atividade tectónica violenta.
Exemplos impressionantes dessa atividade
incluem os maciços de Hoggar e de Tibesti,
a maior cordilheira do Sara.
A noroeste do Sara encontram-se as montanhas do Atlas.
Esta cordilheira forma uma fronteira natural
entre o deserto quente e o clima mediterrânico
do norte de Marrocos.
Ao contrário do que é habitual em montanhas em zonas de deserto,
as montanhas do Atlas contêm metais e matérias-primas
como ferro e prata, bem como gás natural.
Djerat, Ténéré ou, simplesmente, Grande Deserto,
são nomes dados ao maior deserto seco do mundo,
o Sara.
O Sara estende-se por nove milhões de quilómetros quadrados,
cobertos de areia, cascalho e rochas,
uma região tão seca e quente
que todas as criaturas vivas sucumbem ao vazio implacável,
ou, pelo menos, é o que parece.
O deserto pode ser mais do que apenas areia e pó.
Em alguns locais, de vez em quando,
surge um rio no deserto inóspito.
Porém, não passa de um vislumbre no calor intenso
e, rapidamente, todos os seus vestígios desaparecem
na imensidão do mar de areia.
Longe da água,
dominam as infinitas extensões de areia,
mas a ideia de que o Sara tem apenas dunas a perder de vista
não está correta.
Na verdade, apenas um quinto dos desertos são verdadeiros desertos de areia.
São habitualmente chamados "erg" ou "edean"
e consistem sobretudo em quartzo,
resultante da erosão das rochas pelo vento.
As formações rochosas criadas pela erosão
não só têm formas muito variadas
como, em alguns casos, têm um aspeto bastante curioso.
Na costa ocidental encontra-se o Namibe,
um dos poucos desertos de névoa do mundo.
A corrente oceânica fria de Benguela
é a causa para não chover há décadas no Namibe.
O deserto do Namibe encontrava-se, há quase 80 milhões de anos,
em Gondwana, o continente original.
Nessa altura, não se situava no litoral.
Isso só aconteceu após a deriva continental.
Na paisagem que rodeia o Namibe dominam montanhas altas e escarpadas.
A origem das formações rochosas cobertas de cascalho
tem um motivo interessante.
As grandes diferenças térmicas
entre os dias escaldantes e as noites gélidas
levam as grandes rochas a explodir e a formar pequenos fragmentos.
Saímos do deserto de névoa do Namibe
para regressar ao Sara.
Aqui, as rochas polidas pelo vento e as dunas altas solitárias
esperam novamente por nós.
O deserto, próximo das poucas montanhas que se elevam da areia,
é particularmente seco.
Contudo, não é verdade que o Sara tenha sido sempre quente e arenoso.
Nos últimos 100 mil anos,
houve períodos em que o Sara se transformou numa savana verde.
Estes últimos períodos húmidos ou pluviais
ocorreram há cerca de oito mil anos.
Durante esse período,
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