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Falta muito pra Havreval?
Ninguém sabe onde é?
Cala a boca!
Não tem um colar te matando.
Exatamente! Com cavalos, chegaremos a Ségur mais rápido.
Obrigado, princesa, estou melhor agora.
Merda! Avisei que era má ideia.
Havreval.
O que aconteceu?
Foram os penitentes.
Abram!
Não se afaste, Perla.
- O que querem? - Entrar.
- Sou o Capitão Lothar de Lamartine. - Ninguém entra!
Ordens do conde.
Saiam daqui! Ninguém entra.
Nem sua futura soberana? Sou Hortense de Rochemort.
Vou me casar com o príncipe de Ségur.
Fomos atacados, e meu futuro marido não apreciará sua atitude.
Esperem aí. O conde vai recebê-los.
Temos que sair daqui.
Caros amigos!
Vossa Alteza.
Bem-vindos a Havreval.
Tristan d'Orfray, conde de Havreval e primo em segundo grau do príncipe,
o que nos torna primos pelo casamento.
É um prazer.
Prazer, uma ova.
Quase ficamos pra fora.
Desculpe, eu não sabia.
O que houve com vocês?
Os penitentes.
Claro.
Eles também nos atacaram.
Tentamos uma incursão, mas era tarde demais.
Não pudemos fazer nada.
Uma batalha terrível.
Mas há males que vêm para o bem.
Graças a eles, nos conhecemos.
Não enterram seus mortos?
Tudo a seu tempo.
Os penitentes ainda podem atacar.
E eles?
Desertores.
É guerra, senhor.
Não há espaço para covardes.
Ainda tem cavalos?
Claro.
Podem sair hoje à noite para seu casamento em Ségur.
E meus parabéns.
Vamos ficar.
Se ainda houver penitentes, é mais seguro aqui.
Pedirei ao príncipe que venha com seu exército.
Minha casa é sua casa, Vossa Alteza.
O Adelme vai levá-la ao pombal e fornecer o material para a mensagem.
Obrigada, cônsul.
Desculpe, Vossa Alteza, mas eu…
Tenho que tratar de uma emergência médica.
Viu a aldeia?
Quer mesmo sair agora?
E o colar dele? Ele vai morrer se não formos a Ségur.
Dá pra esperar.
Quando o príncipe vai chegar?
Logo.
Prometo.
Seu pai vai ficar bem.
E depois?
Ele vai ficar em Ségur?
Não sei, Perla.
Quer soltá-la?
Tudo bem?
Tudo ia bem até você chegar.
- O que vai fazer? - Vai pro lado.
O que é isso?
Ficou pior agora.
Os soldados não parecem estar tensos?
- Muito. - Como se escondessem algo.
Não houve combate.
Fecharam os portões. Não fizeram nada pra impedir o ataque.
Como descobriu?
Sem sinais de luta.
E os soldados…
Sem ferimentos.
- E os enforcados não são desertores. - São os que quiseram intervir.
Ficamos quietos. Não conte aos outros.
Não fomos apresentadas.
Sou Hortense de Rochemort.
E você é?
Ophélie, senhora.
Ophélie.
Sabe, Ophélie, também cruzamos com os penitentes.
Vendo o que fizeram aqui, acho que tivemos sorte.
Você estava na aldeia quando atacaram?
Perdeu sua família?
Sinto muito. Não quis me intrometer.
O povo foi reunido e massacrado na praça.
Não quer arrumar o cabelo?
Sabe fazer isso?
Sou profissional.
Devia falar com sua filha.
Eu falo com ela.
Ela está se apegando a você.
Não acho bom se apegar a você.
Por quê?
Você é um assassino que só pensa em dinheiro e mulheres da vida.
É meio simplista.
Nem tanto.
- E é mentira. - É mesmo?
Então vai cuidar dela e ser um bom pai de família?
Por que não?
Nem você acredita nisso.
Diga a verdade a ela.
- Acabou? - Sim.
Ficou horrível.
De nada.
Obrigada, Sr. Cônsul.
Pela comida, por nos acolher.
Um banho, uma refeição e um vestido
não são muita coisa,
mas, nestes tempos conturbados, são tudo o que temos.
Lembremo-nos de nossa humanidade.
O mundo está se desfazendo. O obscurantismo ganha espaço.
Devemos ser bastiões contra a barbárie.
Algum problema, Alteza?
Não.
Não, perdão.
É que…
Vimos muita gente passando fome.
A privação não lhes trará justiça.
Exatamente.
Mas ainda parece transtornada.
Sua criada falou do ataque à aldeia.
Coitados.
Sim?
Ela disse que foram reunidos e massacrados na praça.
Peço desculpas. Ela não deveria ter falado disso.
Não, eu que perguntei a ela.
Ouça meu conselho.
Se tiver dúvidas, pergunte a mim. É melhor que perguntar aos funcionários.
Algum problema?
Não, nada.
É só um vagabundo.
Não se preocupem.
Meus homens cuidarão disso.
Vamos com eles.
Acham meus soldados incapazes de lidar com um vagabundo?
Só por precaução.
Uma caolha está atrás de nós.
Ela é perigosa.
O que você faz aqui?
Responda!
Quem é você?
Fale!
Prendam ele!
Não era a caolha.
Talvez tenha morrido.
Está queimando há meses.
Depois que você for pago e tirar o colar, vai fazer o quê?
Comemorar no melhor bordel da cidade.
É brincadeira.
Não, eu vou…
Vou procurar um emprego.
Capanga em Lamartine ou outro lugar.
E eu?
E que tem você?
O que vai ser de mim quando eu conhecer o arcebispo?
Acho que vão te mandar a um bom orfanato.
Não sou órfã.
Sei que não é.
Você vai poder crescer um pouco…
E eu vou te visitar.
Você não me quer.
Sou um assassino, Perla.
Eu vou estar no orfanato.
Você vai curtir a vida com a grana que ganhou comigo.
Pois é.
Você venceu. Vamos dividir.
Mas não na metade, você é muito jovem.
Setenta, trinta… É um bom negócio, Perla!
Ei!
Disseram que quer se confessar.
Estou ouvindo, meu filho.
"Quando chegar a hora,
o Diabo possuirá o corpo de seu último descendente
e torná-lo-á o Messias das Trevas,
que mergulhará o mundo
no apocalipse."
A Santa Sé me enviou.
Quem é?
É a criança.
Pode entrar.
As minas serão taxadas em um vigésimo.
Notícias de sua filha?
Deve ter havido algum empecilho, mas ela chegará logo.
Vossa Alteza, o arcebispo solicita uma audiência.
Ele também pede a sua presença, cônsul.
O que é isso?
Não sabemos, Vossa Alteza.
É a praga.
Não, Vossa Alteza.
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