Megaestructuras: El Bernabéu del siglo XXI
The first 200 lines.
O Real Madrid ganhou mais títulos da Liga dos Campeões
que qualquer outra equipa.
Tem mais de 500 milhões de seguidores por todo o mundo.
Eleito como o melhor clube do século XX pela FIFA,
vai renovar o estádio para se manter líder no século XXI.
Aceitámos o desafio de o tornar ainda mais monumental.
Para que, além do futebol,
fosse o centro de entretenimento de que Madrid precisava.
Se trabalhamos para um clube que quer ser uma referência global,
o melhor do mundo,
a sua casa tem de ser uma referência e a melhor do mundo.
O novo estádio vai deslumbrar com uma estrutura de aço
e um telhado retrátil.
Terá um enorme placar de 360 graus
e uma sala de logística subterrânea.
E a tecnologia revolucionária vai permitir-lhe crescer
e guardar subterraneamente o relvado.
Mas o Real Madrid insiste em jogar no seu estádio durante a construção.
Tamanha exigência significa que as coisas vão ficar complicadas.
É de loucos do ponto de vista da gestão do projeto.
Os designers e engenheiros vão ter de ser criativos
e ir buscar soluções a outras disciplinas
para tentarem resolver cada desafio da construção.
Nunca ninguém levou a cabo um projeto destes.
Cinco anos de trabalho na segunda cidade mais povoada da UE.
Um exército de trabalhadores numa extraordinária aventura
que os levará ao limite.
Cuidado!
Parem!
SUPERESTÁDIO DO REAL MADRID
No centro da capital espanhola,
o Real Madrid embarca numa transformação radical do seu estádio.
E quere-la pronta dentro de três anos.
O novo estádio será envolvido em metal.
Terá um novo telhado com uma secção intermédia retrátil.
8000 m2 de área de superfície podem ser abertas ou fechadas,
conforme seja necessário.
Será criado um placar de 360 graus.
4000 m2 de ecrãs.
E a construção de um anel de logística subterrâneo
com acesso à rua permitirá que os camiões
de suprimentos cheguem a todo o complexo.
Cada um destes empreendimentos seria muito significativo, complicado
e massivo por si só, mas este projeto junta-os todos.
Esta renovação monumental requer trabalho com limitações.
Grande parte do estádio e os 77 anos de História têm de ser mantidos.
É preciso contornar a linha de comboio
que passa por baixo do campo.
E vai tudo acontecer na cidade com quase 3,5 milhões de habitantes.
Mas o principal obstáculo é outra coisa.
Uma das condições é que o Real Madrid
tem de jogar todos os jogos no seu estádio.
O primeiro desafio é remover o antigo telhado.
1200 toneladas de aço que os especialistas vão ter de desmantelar
a uma altura de 70 m.
É para tirar esta, aquela e aquela.
Está tanto vento!
Para! Está vento aqui.
Não me leves. O vento está a tentar levar-me.
Para! Para!
Vá, sobe.
Este trabalho intricado demorara seis meses.
Entretanto, a equipa de demolição ataca o perímetro exterior.
No verão, o trabalho está a ser feito em cada canto do estádio.
Isto é um compêndio de todos os problemas do nosso trabalho.
Problemas de logística, de técnica, de design...
Trabalhamos no relvado, nas bancadas,
no telhado, no anel de logística...
Para trabalharmos no exterior, temos de fechar todo o espaço
por questões de segurança. É algo muito complexo.
Os gestores do projeto trabalham para manter tudo sob controlo.
Mas não imaginam o que os espera.
A base desta renovação é uma enorme caixa de metal
que protegerá a antiga estrutura,
suportando a nova fachada e o telhado.
Duas enormes treliças com quase 180 m
e pesando cada uma 2000 toneladas.
E não podem ser montadas no relvado.
Nunca ninguém construiu uma estrutura destas
sem poder trabalhar por baixo.
Fomos buscar o design inovador e a metodologia de construção
às grandes pontes.
As partes das pontes altas em construção
não podem ser construídas a partir do chão. Aqui é igual.
Quisemos garantir que o que tinha de acontecer dentro do estádio
podia acontecer porque é um estádio de futebol.
Esta operação começou há meses, quase a 600 km de distância.
503 DIAS DE TRABALHO
É aqui que a estrutura de metal do telhado está a ser feita.
250 trabalhadores em turnos, 24 horas por dia
para entregarem 1400 toneladas de aço em tempo recorde.
Mas o seu trabalho está longe de terminado.
O Estádio Santiago Bernabéu tem quatro bases como esta
e são peças fundamentais que suportam todo o telhado do edifício.
As junções entre as peças têm de ser perfeitas
e isso requer 250 toneladas de solda.
Qualquer erro de soldagem nas juntas de suporte de uma estrutura destas
teria consequências desastrosas.
A estrutura do novo telhado pesará o dobro da Torre Eiffel.
O comprimento total desta treliça são 180 m.
E cada uma pesa cerca de 2000 toneladas.
O projeto inclui duas.
Aqui, temos um modelo de uma montagem de um quarto da treliça.
Este modelo na oficina serve para verificar falhas.
Mas o trabalho só ficará feito quando for instalada no novo estádio.
Hoje é um dia decisivo.
A parte mais difícil da montagem é a união das duas metades.
E não há margem para erro.
A estrutura chegou como peças separadas
para serem montadas nos dois lados do estádio.
No topo, só há espaço para uns quantos especialistas.
As duas peças de 500 toneladas têm de ficar alinhadas na perfeição
e tudo isto sem ocuparem o relvado em baixo.
Baixa. Continua a baixar.
Baixa.
Boa, Fran, mantém-la aí.
Mantém-la aí, Fran. Insere uma cavilha.
É a primeira vez que isto é feito.
E não sei se se atreverão a voltar a fazê-lo.
Vão ser precisos três dias para unir a enorme treliça.
Juntamente com a sua gémea, vão suportar o peso do novo telhado.
Orquestrar cada novo trabalho no coração de Madrid
é outra tarefa insuperável deste projeto.
A logística do projeto é quase infernal.
Todos os dias lidamos com trânsito,
com a falta de espaço para armazenamento, para instalações
e para as máquinas.
Já precisámos de usar ao mesmo tempo mais de 15 gruas.
Não só as fixas como as movíveis e grandes
com uma capacidade de 800 toneladas.
Tudo isto tem de ser desenvolvido num espaço muito pequeno
durante duas semanas e depois tem de ser usado para um jogo.
Daqui a umas horas, o Real Madrid vai enfrentar o Manchester City,
e o estádio tem de ser transformado.
A rotina é sempre a mesma.
Retirar a maquinaria, limpar e preparar o espaço.
Ter tudo pronto para receber os fãs é um dia inteiro de trabalho.
O principal problema é o facto de termos de lidar com 80 mil pessoas
que vêm ao estádio, mantendo os requerimentos de segurança.
As medidas de segurança também afetam as cinco gruas fixas.
Duas horas antes do jogo, os operadores ocupam os seus lugares
para manterem as gruas longe das bancadas e do campo.
- Grua dois em posição. - Certo, certo.
Cortar a corrente. Agora, não temos de tocar na grua.
Lá em baixo, o estádio pertence aos fãs durante umas horas.
O Real Madrid está a jogar na Liga dos Campeões Europeus,
o campeonato entre os clubes mais importantes do mundo.
Os operadores ficam onde estão até uma hora após o estádio ficar vazio.
Avança pelo campo, remata à baliza... Fora!
Ninguém esperava por isso,
mas a rotina de alternar entre renovação e eventos desportivos
está prestes a ficar parada.
Estamos muito preocupados com os níveis alarmantes
de contágio e severidade.
Fizemos então a avaliação
de que a Covid 19 pode ser caracterizada como uma pandemia.
CONFINAMENTO
A renovação que começou em 2019
é a última página numa história com um século.
A construção deste estádio começa em 1944, permitindo que um clube
fundado no início do século XX fosse ganhando e tendo mais fãs.
O seu carismático presidente, Santiago Bernabéu aprova um projeto
que terá o seu nome.
É o maior estádio da Europa, capaz de levar cem mil espetadores.
Aqui, em 1956, o clube começa a criar a sua reputação
ao vencer a Taça da Liga dos Campeões cinco vezes seguidas.
O troféu de maior prestígio que um clube pode ganhar.
O Real Madrid já renovou o seu estádio várias vezes
ao longo dos anos, tornando-o mais seguro e confortável.
Desde 2007 que é um dos estádios de elite da FIFA.
Hoje, com 500 milhões de seguidores online,
é o clube de futebol mais popular do mundo.
Entre os seus mais de 100 troféus,
as 15 Taças da Liga dos Campeões são um recorde.
VENCEDORES
MARÇO, 2020
A pandemia Covid 19 atingiu a Espanha
nove meses após o início da construção.
Os jogos da Liga são permitidos durante a situação de emergência,
mas sem público.
O Real Madrid decide jogar no seu complexo nos arredores da capital.
Mas até depois desta tempestade vem a bonança.
Durante o confinamento, o trabalho pode ser feito usando o relvado.
O sonho de transformar o estádio num espaço multifuncional
que a cidade pode usar mais começa a ganhar forma.
Onde há uns dias se jogava futebol, está a escavar-se este buraco.
Até agora, escavámos sete metros. Ainda restam 15 ou 16 m.
Esta cavidade vai chamar-se Hypogeum.
Sem a pandemia, não teríamos feito o Hypogeum como o fizemos
ou usaríamos o design que foi escolhido.
Um sistema topo de gama para esconder o relvado
vai ser instalado aqui.
Isto permitirá que o estádio seja usado não só para jogar futebol,
mas também para concertos, convenções e todo o tipo de eventos.
Dividido em seis painéis, o relvado será guardado no subsolo.
Rega automática, temperatura
e iluminação têm de o manter em perfeitas condições.
E os painéis só verão o exterior nos dias de jogo.
Pegar no relvado, dividi-lo em seis placas e descê-las até uma estufa
foi um verdadeiro desafio.
No comments yet. Be the first to leave one.