The first 200 lines.
Gravando.
Quando entrei para a banda,
eu não precisava de mais ninguém.
Não precisava de ajuda para cantar,
nem para compor.
Não precisava de mais autoconfiança.
Quando voltei, em 2005,
eu estava muito mal.
Precisava de todos.
Eu precisava do ombro amigo e da presença de todos.
E pela primeira vez,
senti que fazia parte do Take That.
Foi quando a banda começou para mim.
Nós nos tornamos astros do pop nos anos 90,
sem saber o que ia acontecer.
Em frente, rapazes.
Desta vez, sabíamos o que esperar.
Você é mais cuidadoso com relação a quanto do seu corpo
você quer submergir.
NOVEMBRO DE 2005
De repente, estava se realizando.
VOZ DE GARY BARLOW
Quem diria que este documentário…
VOZ DE HOWARD DONALD
…representaria o início de tudo mais uma vez?
Fizemos divulgação.
VOZ DE MARK OWEN
E passamos uns dias juntos.
Foi uma emoção incrível ter a oportunidade
de fazer tudo de novo.
Por maior que fosse a emoção, eu me lembro
que, logo antes de irmos a público
dizer que faríamos uma turnê,
nos reunimos numa sala, e eu chorava copiosamente.
Foi muito emocionante.
Cheguei muito perto de virar para os outros três rapazes e dizer…
VOZ DE JASON ORANGE
"Isso é uma piada.
A gente não é capaz."
E cheguei a ficar enjoado.
Nós estávamos com medo.
E isso é difícil de dizer.
Estávamos muito traumatizados àquela altura.
Queremos agradecer a todos por terem nos dado
dez anos de folga.
Mas, infelizmente, os boatos são verdadeiros.
O Take That fará turnê.
Isso.
Quando cheguei hoje de manhã, só havia três fãs lá fora.
Não, era a minha irmã com três amigas.
Pedi pra virem, pra parecermos famosos de novo.
Não temos ilusões. Estamos nos arriscando muito.
Temos que ver nosso preparo físico.
E vamos tentar.
E pode ser uma porcaria. Não há como saber.
Mas funcionou da primeira vez.
Vamos ver se acertamos agora.
Dez anos após se separarem, a maior boy band britânica
voltará a fazer shows.
A boy band se reuniu para uma turnê.
Mas o quinto membro, e mais bem-sucedido, Robbie Williams,
que saiu de forma hostil, não se juntará a eles.
Os fãs ainda pagarão para ver o Take That sem o Robbie?
DEZEMBRO DE 2005
Demos conta na primeira vez porque éramos jovens.
Vai ficar claro imediatamente com essa abertura.
Conversamos muito antes de tomarmos qualquer atitude.
Quatro personagens chifrudos fazendo assim.
Desta vez, queríamos cuidar uns dos outros.
Eu protegia muito os outros rapazes.
Todos queríamos o que tínhamos.
Com exceção de algumas partes.
Jason disse: "Não quero o Nigel como empresário.
Precisamos de um recomeço."
Nigel inventou a banda.
Ele nos escolheu e fez tudo acontecer.
Devo muito a ele.
Mas Nigel era bem assustador como empresário até para mim,
e eu era o braço direito dele.
Nigel havia decidido que nós alcançaríamos o sucesso
com ele nos manipulando e nos controlando.
Eu disse: "Mark, se não mudarem isso, não prossiga."
Jason era a única pessoa, de todo o grupo,
que falava se não gostasse de algo.
Ele não ficava calado.
E Nigel não gostava que lhe dissessem o que fazer.
Você implica sempre comigo.
Você me odeia.
Ele odiava qualquer um que desafiasse seu poder.
Robbie e eu éramos muito criticados pelo Nigel.
O empresário ali vai me dar uma bronca
se eu não entrar agora.
Ele decidiu que, se nós nos impuséssemos,
não daria certo.
E nos deixava inseguros.
Às vezes, você sente que precisa sorrir mesmo sem querer.
É muito irritante as pessoas pensarem…
que é uma diversão sem fim.
Eu me sentia inútil na banda, como se não merecesse estar ali.
E eu estava por um triz.
Eu não queria mais me sentir assim.
Falamos em procurá-lo juntos, mas Jason quis vê-lo a sós.
Eles tinham pendências,
e ele queria resolver sozinho.
Jason é o tipo de pessoa sem papas na língua.
Não levava desaforo pra casa.
Eu tinha orgulho do Jay.
Eu pensava: "Fala mesmo, Jason."
E sentia orgulho, sabe?
Acho que ele estava chateado com o Nigel.
Deve ter sido um momento difícil para ele.
Mas deve ter sido duro nos perder,
porque ele nos conhecia desde muito jovens.
Mas acho que ele queria o melhor pra banda.
Primeiro, éramos uma banda fabricada, controlados pelo empresário.
Desta vez, escolhemos nosso empresário.
Escolhemos nossa equipe. Nós estamos no controle.
Ingressos à venda pra turnê do Take That.
A banda que emplacou oito números um nos anos 90
quer reacender o interesse dos fãs.
Uma coisa é assistir a um programa de televisão gratuito,
mas vender ingressos é outra totalmente diferente.
Um promotor nos disse que tinha todas essas datas para nós,
e eu pensei: "Ele está sendo ganancioso?"
Não queríamos fazer papel de bobos.
Saí na noite anterior ao início da venda dos ingressos,
e estava muito nervoso com tudo.
Fiquei bêbado e devo ter ido para a cama umas 3h.
E me lembro de ouvir meu celular vibrando.
Havia umas 35 chamadas perdidas.
Algumas pessoas aqui
estão na fila desde 10h30 de ontem.
Que emoção!
Meu coração disparou.
- Primeira fila, bloco A. - Como se sente?
É maravilhoso.
Os primeiros dez dias esgotaram antes das 9h05.
Ingressos pro show de retorno esgotaram em três horas.
Quando eu acordei, os 30 dias estavam vendidos.
Inacreditável.
Estou tremendo. Finalmente consegui.
Estou muito feliz.
Não imaginaria nem em sonho.
E é alucinante.
Eis os ingressos sagrados
que os fãs ficaram horas na fila para comprar.
Como aconteceu?
Talvez esteja gravado na memória adolescente das pessoas.
As músicas e as apresentações que nós fazíamos.
Esperei dez anos por isso.
Senhoras e senhores, é o Take That.
Parabéns por terem sobrevivido.
E por se reunirem.
Não é bacana ter o Take That aqui?
É um baita choque. Estamos encantados.
Os ingressos esgotaram em três horas.
Quem comprou? Sem querer ofender.
Começar o dia pensando: "Alguém vai nos ver?"
E depois tocar para o maior público da nossa vida.
Éramos uma boy band há 15 anos.
Tínhamos uma arrogância juvenil que já não temos mais.
Como poderíamos voltar com mais de 30 anos
e fazer o que fazíamos?
Foi a primeira vez que dançamos.
Nenhum de nós se movia
há dez anos.
Um, dois…
Nós nos surpreendemos por conseguirmos criar algo.
Estou um pouco nervoso.
Lembro-me de dizer ao Jason:
"Sei que está com medo. Obrigado.
Porque, se não topar, eu não vou conseguir."
Os meninos… Não são mais meninos.
Os rapazes começam a turnê domingo, em Newcastle,
e vão percorrer o país.
- Tenho ingresso. - Boa!
Eu queria subir no palco, queria cantar de novo.
Eu queria o público de novo.
Eu estava louco por isso, mas queria que fosse bom para todos nós.
Queria que todos se sentissem bem.
E isso era novidade,
porque eu não ligava pra ninguém nos anos 90.
Só me importava comigo.
Dez anos levaram a este show.
Foram anos com muitos dias sombrios.
Perder um contrato.
Gary Barlow foi dispensado pela gravadora.
- Virar chacota. - Ele não canta, nem dança.
O álbum não vendeu aqui…
Fomos massacrados.
Você agora é ator.
Mas decidimos voltar ao ringue.
Cada passo foi carregado de emoção.
Subimos ao palco, e foi como uma experiência extracorpórea.
Não sei explicar.
Era a liberdade.
Foi ótimo fazer aquilo que eu realmente amava
e de que sentia tanta falta.
Senti que eu tinha valor.
Eu me senti um artista de novo.
No comments yet. Be the first to leave one.