The first 200 lines.
O que está fazendo aqui?
Precisava falar com você.
- À meia-noite? - Sei que é tarde.
Mas não queria te ligar de casa.
Não podia arriscar que Silvia escutasse.
Como você está?
Silvia me contou do diário da Isa e…
da briga de vocês.
Veio falar disso?
Não, Lorenzo. Claro que não.
Por causa dessa briga,
a Silvia me pediu pra ficar com ela mais tempo.
Que fique claro: foi ela que me pediu.
A coitada está tão mal.
Percebi que…
não contou a Silvia que eu sabia do acidente.
Não tive tempo de decidir o que contar ou não.
Melhor assim, né?
Ela vai acabar sabendo.
Já contei tudo pra ela. Na verdade…
não faz diferença.
Estou cansado de mentiras, sabe?
Sim, claro.
Acontece que…
uma meia-verdade também é uma mentira.
E tudo, tudo…
você não contou.
Pra acabar com as mentiras, deveria contar não só sobre a Isa…
mas também o que aconteceu entre nós dois.
Ai, Lorenzo, não me olha assim.
Eu também não quero contar. Claro que não.
Silvia é minha amiga.
Eu ia odiar magoar ela.
O que eu mais quero agora é apoiar ela.
Por isso eu digo:
é melhor ela não saber de nada.
Nem sobre a Isa…
nem sobre nós.
Vamos fazer isso por ela.
Afinal de contas, Silvia…
é nosso objetivo comum, né?
A HÓSPEDE
Quando ela disse isso?
Há duas noites, quando eu saí de casa.
Parece uma ameaça.
Também acho.
Não gostei nem um pouco.
- Bem… - Queria que ela fosse embora.
Mas você está ferrado. É verdade que ela…
É melhor ela ficar. A Silvia não pode ficar sozinha.
Pois é.
Que lugar horrível!
Pois é.
E você?
Acha que um dia vai confessar sobre você e a Sonia?
Quando penso em confessar uma coisa dessa,
fico imaginando o mal que eu poderia causar,
o mal que isso pode causar ao outro.
Algumas verdades é melhor…
guardar.
Às vezes é melhor simplesmente…
ficar calado.
Talvez você tenha razão.
- Olá. - Bom dia.
Vim visitar Isabela Malagón. Estou esperando minha esposa.
Claro. Vou avisar.
No começo, ela vai se sentir meio estranha.
Nada de mais.
Um pouco de mal-estar.
"No começo" quando?
Nos primeiros dois ou três dias.
E depois?
Depois…
vêm as palpitações
e a fraqueza.
Mas não daria pra fazer isso
mais rápido?
Não sei.
Não acho sensato apressar as coisas.
Não queremos que ninguém se dê conta, né?
Ela não pode ir ao médico.
Pois é.
Estava pensando nisso.
É assim, né?
Queijinho.
Vou pegar meu computador pra mandar o arquivo pro Pepe.
Ficou perfeito.
Por que não ficou em Bogotá?
Não fico na casa do papai nem que a vaca tussa.
Sim, talvez tivesse sido melhor, mas…
quero ficar perto da Silvia, quero que sinta…
que não está sozinha.
Ela não está atendendo?
Não. Não sei por quê.
Já deixei um monte de mensagens.
Não acredito que a Isa está aqui de novo.
Obrigado por me trazer.
Obrigado nada.
Vou cobrar cada carona e cada favor.
Não fica achando que eu te perdoei, seu babaca.
E o Juanjo?
Falou com ele?
Tem que falar com ele.
Ele saiu de casa, quis ir embora.
Talvez queira ficar sozinho.
E pra que bancar o durão, cara?
Quero que ele seja uma boa pessoa. É só o que eu quero.
E ele é.
Só comete erros, como qualquer um.
Silvia já chegou. Boa sorte com ela.
- Me dá notícias da Isa. - Miguel.
Obrigada.
- Oi. - Oi. Podemos entrar?
Vamos avisar que chegou.
Esse é o vídeo completo?
O que mandaram pra namorada do primo?
Esse mesmo. Completo, do início ao fim.
Pra não haver dúvida.
Isso, a história do Brian,
a enfermeira.
Esse cara tá fodido.
Eu queria poder ver a cara dele.
Um cara como Lorenzo,
sempre de nariz empinado,
tão arrogante,
tão desprezível…
merece o castigo que preparamos.
Merece, sim.
Do que você está falando?
Hein?
- Gilma! - Que história é essa?
O quê?
Lorenzo é desprezível?
- Você vai castigar ele? - Não!
- Por quê? - Não! Não, Gilma, não.
Você está confusa. Ouviu mal.
Eu não ouvi mal.
É o técnico que veio consertar o computador, mas está de saída.
Obrigada!
Eu garanto que meus dois filhos são ótimas pessoas.
Claro.
Ninguém pode negar.
Estou dizendo que ouviu mal, que está confusa.
Não.
Não estou confusa.
Eu ouvi.
Ouvi você dizer que o Lorenzo era desprezível,
e que você ia castigar ele.
- Não. - Gilma!
Sim, pra…
Pelo amor de Deus!
- Aníbal? - Aníbal.
Onde você estava? Quase me mata de susto.
Se o Luis não te visse, eu não saberia onde estava.
Sonia, sinto muito.
Não tem problema.
Fiquei preocupada porque sei como ela está.
Ela parece confusa, está dizendo coisas estranhas.
Gilma, você está bem?
Tão linda, não é?
Olha, bonequinha…
- Você viu o Lorenzo? - Meu Deus!
Ele vai se atrasar pra faculdade.
Ele esqueceu as meias.
- As meias? - Sim.
Ela está muito confusa.
Ela não entende por que Lorenzo está conosco.
Claro. Não se preocupa.
Deixa as meias comigo. Quando eu vir o Lorenzo, eu entrego.
- Tá certo. - Por que duas taças de vinho?
Porque eu estava…
Estou esperando a Silvia.
Fiz uma lasanha pra ela, mas não coloquei no forno.
Isso não está certo.
O vinho estraga se for aberto antes.
Perde o aroma, perde a graça.
É verdade. Você tem razão.
Que cabeça a minha! Que burrice. Você tem razão.
Bom, não se preocupe.
Vamos, Gilma.
- É hora dos remédios. - Claro.
Vamos pra casa. Pare de perambular.
Fica bem, Gilma.
- Adorei te ver. - Tão linda!
Tão linda, né?
Anda, Gilma.
- Vamos. - Tchau.
Vamos.
- Até logo. - Tchau.
Tchau.
Quando acordou, estava muito ansiosa.
O que é normal,
considerando o que estava tomando.
Esses opioides, não?
Por isso ela está sedada.
E o humor dela?
Está deprimida.
Chora sem parar,
fala o estritamente necessário,
não participa das atividades que propomos.
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