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HOMICÍDIOS EM PONT-L'ÉVÊQUE
Bem-vindos à Prisão Alegre!
Venham reviver a evasão de René Lacagne!
Recordo que apenas os visitantes trajados
poderão entrar na Prisão Alegre!
Obrigado. Por aqui!
- Bom dia, crianças! - Bom dia!
Sou o chefe dos guardas da Prisão Alegre.
Decidi deixar as celas abertas!
Não pode fazer isso!
- E a entrada principal também! - Não pode! Isto é uma prisão!
- Querem que o faça? - Não!
O René Lacagne fugiu pela janela!
Serrou as grades!
Por favor, entreguem os convites para a visita guiada.
Olá, Alex.
Cá está o campeão!
- Voltaste? - Deixei a Reunião.
- Há quanto tempo? - Não sei.
Obrigado!
- Vou deixar-te trabalhar. Até logo. - Sim!
Obrigado!
Foi por essa razão que criei a associação Prisão Alegre,
para ver a justiça com outros olhos,
como o fez o guarda desta prisão no final da década de 1940.
Obrigado.
Entendo a vossa relutância.
Como juiz de instrução,
tenho de tomar decisões difíceis todos os dias.
A reincidência tem de ser resolvida.
Os números são terríveis.
A prisão nem sempre é a melhor solução. Certamente, irão concordar. Obrigado.
Olá, Georges!
- Julien? - Como estás?
- Estás um homem feito! - Já não era sem tempo.
- Belo discurso! - Viste a Marion?
- Ela está? - Marion! Olha quem está aqui!
- Olá! - Georges, tens de ir.
- Tenho um anúncio a fazer. - Está bem.
Soube que tinhas voltado.
- Como estás? - Bem.
Os anos 50 ficam-te bem.
Obrigada.
A vossa atenção, por favor:
a última visita da Prisão Alegre irá começar dentro de minutos.
O arquivista Théo
e a Lucie serão os vossos guias. - Vamos?
Boa visita a todos!
Esta prisão foi construída no início do século XIX.
Foi concebida para acolher 40 pessoas,
mas chegou a ter até 100 reclusos.
Era uma prisão mista.
O Fernand Billa foi nomeado como chefe dos guardas
e o estabelecimento passou a ser apelidado de Prisão Alegre.
Os reclusos eram responsáveis pela manutenção e trabalho administrativo,
assim como pelos registos da prisão.
Em 1951,
a fuga de René Lacagne, o famoso gângster, que todos conhecem,
pôs fim a esta bela desorganização.
Como podem ver, havia vários andares neste edifício...
O que foi?
O que se passa?
É o juiz!
Meu Deus!
Senhoras e senhores,
como capitão da Guarda de Pont-l'Évêque, peço-vos que voltem ao piso inferior.
Mantenham a calma.
- Registem as identidades de todos. - Sim, capitão.
- Boa noite, comandante. - Então?
Estão lá em cima.
- Cancelo tudo? - Claro!
Quais são as novidades, Lucie?
Deixei ir todos, menos a escrivã da vítima que quis ficar.
- Quem é ela? - A Marion.
Estou a ver.
Franck? O que fazes aqui?
Não te disseram?
Sou o responsável.
O que se passa?
A Secção de Investigação de Caen vai assumir o caso.
Tenho de voltar para o trânsito?
Não tomo estas decisões.
Dá-me toda a informação que conseguiste até agora.
Soube que um jornalista filmou a festa.
Preciso das imagens.
Quem é este presunçoso?
O meu irmão.
Certo.
Boa noite, Florence.
Ele foi efetivamente estrangulado
com este lenço de seda.
Certo.
Achas que foi suicídio?
Desculpa, mas ele não parecia deprimido.
É claro, não quer dizer nada.
Ele tinha dois fatos vestidos. Estranho, não?
Na festa, fez de guarda.
Agora, está vestido de recluso.
Talvez uma mensagem? Ou sentiu-se culpado de alguma coisa.
Não era bem o género do juiz Daniel culpar-se de algo.
Olhe, comandante.
O hematoma na têmpora é recente.
Bateram-lhe antes de morrer.
- Com o quê? - Os punhos, provavelmente.
Golpes violentos.
O agressor devia ter um anel.
Deixou lacerações no tecido cutâneo.
Ou com esta bengala. Encontrámo-la agora.
Bom, pode não ter sido suicídio.
A autópsia o dirá.
- Capitão? - Sim?
Julien, sei que estás muito frustrado com a situação.
Mas eu estou à frente do caso. Entendido?
Com licença.
Boa noite, Sra. Procuradora.
Sim.
Estou no local.
Certo.
Eu aviso-os.
Adeus.
Há algum problema?
A nossa equipa tem falta de pessoal.
Por isso, a procuradora quer que eu colabore com...
Com quem?
Com a tua brigada.
Então, tu e eu.
Ótimo.
Devias estar feliz, vais poder dar-me ordens!
Concentremo-nos no caso, sim?
Sim, comandante!
Desculpa, fui insensível.
Devia ter perguntado como estavas após tantos anos.
Ou só dizer olá.
Mas tens razão, concentremo-nos no caso.
- Vês? - O que achas disto?
Acho que foi um crime,
não suicídio.
Ele foi atacado.
Uma coisa não exclui a outra. Podem estar ligadas.
As pessoas têm cada ideia...
Mas tu não ligas muito à psicologia.
Prefiro cingir-me aos factos.
Sim, claro.
Franck, sabias que a Marion era a escrivã do juiz Daniel?
Sabia.
Cruzei-me com ela em alguns casos.
Obrigada.
Não entendo. Ele ia reformar-se para o ano.
Estava tudo bem. Porque faria isso?
Ainda não sabemos o que aconteceu, Marion.
Como assim?
- Trabalhavam no mesmo local? - Sim.
Ele estava grande parte do tempo contigo.
Não reparaste em algo estranho?
Marion, se quiseres, falamos amanhã. Sem problema.
Não, é importante.
Na vida privada, estava tudo bem com ele?
Era muito solitário.
Não era casado nem tinha namorada. Que eu saiba, não.
- A única mulher na vida dele era a mãe. - Como assim?
Viviam juntos.
Quando ele estava com ela, comportava-se como um menino carente.
É difícil não ser amado.
É verdade.
Sim, claro!
- Desculpa? - O quê?
Não mudaram nada.
- Posso ir? - Claro.
Vamos, pai?
- Adeus. - Adeus.
Adeus, Georges.
Adeus, Georges.
- Tenho o carro ali. - Certo.
Como está a Louise?
Bem.
E as miúdas?
Gostava de as ver, trouxe-lhes presentes da Reunião.
Ótimo.
Não te vão reconhecer.
Já passou tanto tempo...
Até amanhã.
Até amanhã.
A radiografia revelou uma hemorragia entre o osso temporal e a dura-máter.
- Ou seja? - A vítima deve ter ficado inconsciente.
- Bateram-lhe com a bengala? - Não. Eu acertei à primeira.
O agressor usou os punhos, e não se conteve.
Olhem.
Veja as microfissuras, aqui.
Podemos imaginar que a pessoa que o agrediu
arrastou o corpo,
amarrou-o ao parapeito
e empurrou-o para o enforcar?
Sim, parece provável.
Olhem.
Estas marcas foram deixadas pela borracha dos sapatos.
A vítima deve ter sido arrastada para o parapeito.
- Há impressões no parapeito? - Não.
E no lenço?
É difícil obter boas impressões em seda.
Só posso dizer que parece antiga e em bom estado.
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