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Não vim de Jalisco pra te soltar
e ver aquela puta enfiar uma arma na cara da minha filha, na minha casa!
Acha que estou pouco me fodendo pra apontarem uma arma pra Chelita?
Olha só, não sei se isso faz mais sentido.
Tenho uma filha pra proteger. Me diz.
Faz sentido o que faço por você?
Faz ou não? Responde!
- Faz sentido? - Calma aí.
Não vou expor a Chelita.
Vamos ter mais cuidado.
Com você, nunca se sabe.
- E depois? - Não sei.
Não sei. Vamos ver.
A Chelita, você e eu. E o Alex.
Se colocar minha filha em risco…
eu te mato.
DEPOIS DO ACIDENTE 2
- Vai contar à polícia? - Como? Ela é minha mãe.
- Ela matou dois homens. - Não conta pra sua mãe.
Por favor, não pode me trair.
Preciso falar com você.
Por que tirou o colar?
O que foi?
Não sei cadê meus ansiolíticos.
Estou precisando demais tomar essa porcaria.
Mãe.
O que foi?
Seu pai foi embora.
Foi embora?
Por quê?
Porque não estamos bem, meu amor.
Um ano esperando pra voltar pra casa, sonhando com isso.
Um ano de noites infernais e eternas.
Domando a mente pra não enlouquecer. Você sabe.
Era a única coisa que me animava.
Ver elas de novo.
Fiz de tudo pra recuperar a relação que tínhamos,
mas não está funcionando.
Eu disse pra ele.
É sério?
Tentei recuperar minha família.
Tentei e não deu certo.
O que me resta?
Mal foi solto, quase morreu e está ferido.
Não podia esperar ele melhorar?
Eu não expulsei ele.
- Ele decidiu ir embora. - E você deixou.
Você esquece que todos nós perdemos o Rodri.
Não foi só você.
Pode ficar aqui o tempo que quiser.
Sabe que agora faz parte da minha família, né?
- Família… - Não pode se abater assim.
Foco. Aqui.
Sua esposa e filha precisam mais ainda de você.
Tem toda a razão.
Já sei como vou acabar com o miserável do Charro.
Você passou do ponto.
Me desculpa.
- Aquele não era eu. - Não, esse é o problema, Alex.
Era você, sim.
Vieram me buscar.
Então tá.
Tchau.
Como me achou?
É fácil rastrear o celular de alguém.
Está pronto? Vamos?
- Não volto pra aquela casa. - Alex.
Alex, espera.
Alex!
Fala comigo.
Como você está?
Você se importa mesmo?
Dá licença.
A casa é dela.
Desculpa.
Dá licença, por favor.
O que está fazendo aqui?
Seu lugar é lá em casa comigo.
Que merda a Lucía enfiou na sua cabeça?
A única que tem merda na cabeça é você.
Não me trata assim.
- Tudo o que fiz foi pra te proteger. - Para de mentirada.
Sei que matou aqueles caras.
Ouvi sua conversa com o Ulises.
Sabe como é ruim descobrir que sua mãe é assassina? E agora?
- Alguém tinha que vingar seu irmão. - O Moncho não teve culpa.
Foi um dano colateral.
Acha que me orgulho do que fiz?
- Entregar meu pai foi um dano colateral? - Conhece o seu pai.
Precisei afastar ele da gente.
Ainda bem que meu irmão morreu.
Pra não ter que ver que a mãe é uma assassina.
Segue sua vida, faz o que quiser, fica com o Ulises, mas longe de mim.
- Bebê, vem comigo. Vamos embora. - Não.
- Por favor. - Não, obrigado.
Alcides, para o carro.
Para, caralho!
- Saiam! - O que é isso?
Fora!
Saiam daqui!
Pra fora!
Sai!
Ela é louca!
Solta o menino!
- Solta ele! - Vocês são burras?
- Estou salvando eles! - Chama a polícia. É doida.
Quando seu filho morrer, vai lembrar de mim, vagabunda.
- O que é isso? - Para!
- Onde estamos? - Na sua nova casa.
- Mentira. - O quê?
- Me trouxe pra casa da sua amante? - Espera, Alex.
Para de drama. Pra onde você vai?
Você já é grandinho.
Deixa de fazer birra.
Não sou santo, e você sabe. E daí?
Sou seu pai. Não tem jeito.
Sua mãe também é malandra.
Até hoje ainda acredita em monogamia?
Quero que conheça alguém importante.
Pra mim e pra você.
Então melhora essa carranca.
É a Chelita.
Sua irmã.
Ele é seu irmão mais velho, o Alex.
Eu sempre quis ter um irmãozão.
- Por que nunca me contou? - Eu queria que seu pai contasse.
E não morávamos perto.
Muito prazer. Sou a Tamara.
Pode se sentir em casa aqui.
Oi, Chelita.
Sou o Alex.
Quer ver o meu quarto?
Me dá isso.
Alô.
É o Emiliano Lobo.
Caramba! A que devo a honra?
Preciso de você com urgência.
E é pra quê?
Digo pessoalmente.
É importante, ainda mais pra você.
Onde seria?
Café Primero de Mayo.
- Tá, te vejo lá. - Não se atrasa.
Vai te interessar.
Isso aí.
Paciência.
Acho que nem tudo está perdido.
Se forem devagar, podem aprender a se amar de novo.
Quando ele estava preso,
ainda existia esperança.
"Quando ele sair…"
"Quando ele voltar…"
Mas agora que o Emiliano voltou…
vi que estou cheia de rancor.
Falando de amor…
Está envolvida com o Fabián?
Não.
- "Não." - Não, nem sei.
Como você sabe?
Sou sua irmã.
Ele te contou na terapia? Não vale.
Não. Claro que não.
Não sei o que é… Não é nada.
Mas o Fabián é…
muito inteligente e…
- E é carinhoso. - Ele é ótimo.
- Eu sei. - É perfeito pra você.
Escuta, preciso te dizer uma coisa
que vai parecer
loucura,
mas eu acredito.
A Paula
me disse que se comunica com o Rodrigo.
Que conversa com ele, que vê ele.
Disse que ele mandou uma mensagem pra você correr mais vezes com o Gol.
Pro Fabián, é estresse pós-traumático, mas tem algo na Paula que…
Não sei.
Eu acredito nela.
Será que meu filho ainda existe em outro lugar?
- Como vai? - É bom ver vocês.
Eu que o diga.
- Tudo bem? - Tudo. Ela é a Paula, minha filha.
Muito prazer.
Eu te falei que ele é um professor muito importante pra mim
e um grande amigo meu.
- Muito prazer. - Muito prazer.
Seu pai me falou muito de você. Sabe por que está aqui?
Pra fazer uns testes e ver se estou doida.
Não é bem assim.
Você vai gostar. Vai ser divertido.
Vou te apresentar a uma amiga. Entrem.
Essa?
Essa.
Isso.
Acertei. Ganhei.
Você ganhou de lavada.
Aqui.
Muito bem!
Sou eu aqui.
Tem o meu pai.
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