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"DEIXEM VIR A MIM AS CRIANCINHAS, E NÃO AS IMPEÇAM,
PORQUE DELAS É O REINO DOS CÉUS." 14
MEDO REAL
Era linda.
Era uma casa majestosa.
Parecia a casinha de boneca que eu tinha quando era pequena.
Eu disse: "Tem algo nesta casa. Tem algo maligno aqui."
Eu tinha certeza de que havia alguma energia desencarnada
manipulando o ambiente, de que havia algo lá.
OS EVENTOS DESTE FILME OCORRERAM ENTRE MARÇO DE 2004 E AGOSTO DE 2006.
Eu sabia que a casa era assombrada.
Nunca senti tanto medo na vida.
Será que alguém está tentando me dizer que essa casa tem poder?
Ela pode machucar alguém?
PARTES FORAM DRAMATIZADAS E NOMES, ALTERADOS
ESTA CASA ME ASSASSINOU - PARTE 1
Era uma casa assombrada pra caramba,
e eu nem sabia no que tinha me metido, nem sei explicar o poder daquilo.
Certo, vou só verificar os monitores. Está confortável?
- Sim. - Sim?
Cresci em Salt Lake City, em uma família bem rígida.
Minha mãe me criou como mórmon. Todos ao meu redor eram mórmons.
Quando eu tinha 16 anos, fiquei grávida.
April é a minha caçula.
Bem, ela ter engravidado aos 16 anos,
foi devastador, eu fiquei arrasada, senti que tinha fracassado.
Eu não queria dar meu filho para adoção,
nem queria que me dissessem o que fazer, porque era o meu filho.
Alguns julgavam na igreja, deixando-a desconfortável. Foi difícil.
IGREJA DE JESUS CRISTO
Foi aí que decidi romper com a igreja.
Ter o Nate foi a escolha certa.
Alguns anos depois que o Nate nasceu, veio o irmãozinho dele, o Shane.
Eu era mãe solo.
A gente morava em um trailer em West Valley,
e eu mal estava dando conta de sobreviver.
Foi quando conheci o Matt.
Essa foi a primeira foto que tiramos juntos.
Este sou eu e esta é a linda Srta. April.
Naquele momento, eu já sabia que ficaríamos juntos
e que seríamos uma família.
Tudo era ótimo naquela família instantânea que formamos,
mas nossa situação de vida era uma história bem diferente.
Naquela época, morávamos em um bairro chamado West Jordan.
Fica a uns 25 minutos do centro de Salt Lake.
Parecia perfeito no começo,
mas eu estava enganada.
Eu me deitei por um instante, e ouvi.
E então, parou.
E eu me virei para a direita e consegui ver…
Consegui ver olhos.
E eu disse: "Sai da porra da minha casa!"
Naquele momento, ele se virou, correu para a escada e saiu da casa.
Algumas semanas depois, a polícia apareceu
para nos informar que haviam encontrado o invasor.
Ele invadiu de fato uma casa a alguns quarteirões dali.
Todo o meu sonho de um lugar perfeito, de um bairro maravilhoso,
foi destruído.
Eu simplesmente não me sentia mais segura.
Nessa época, eu tinha começado a trabalhar como empreiteiro,
fazendo muitas reformas e remodelações.
Tem um bairro em Salt Lake City onde eu trabalhava muito, chamado Avenues.
A April sempre dizia que esse era o sonho dela,
morar no Avenues.
As vendas de casas novas tiveram o maior salto em sete meses.
Com taxas de juros no menor nível em 30 anos,
as vendas imobiliárias atingiram níveis estratosféricos.
Não foi muito depois daquela invasão.
Eu estava voltando pelo Avenues e vi uma plaquinha de "Vende-se".
VENDE-SE
E eu pensei: "Isso é estranho."
Nunca tem casa para vender no Avenues.
Metade da casa estava coberta de hera.
Essa casa parecia ter sido esquecida, abandonada.
Lembro que o Matt me acordou bem cedo e disse: "Quero que veja uma casa."
Era linda. Uma casa majestosa.
Comecei a olhar em volta e pensei: "Nossa!"
E consegui ver no fim do corredor
que havia algum tipo de grafite ou outra coisa na parede.
Tinha tinta lá.
De repente, alguém apareceu e disse…
Ainda…
Ainda estamos limpando lá dentro.
O último morador deixou… Uma bagunça.
Enquanto eu andava pela casa,
pensei: "Não temos como pagar por isso."
Mas o Matt disse: "E se a gente pudesse?"
O fato de essa casa precisar de tanto trabalho
significa que pode haver uma negociação.
Lembro de desligar o telefone e dizer:
"A casa é nossa! Ele aceitou.
Vamos fazer isso. Vamos encarar."
IMOBILIÁRIA
A gente basicamente veio do nada.
E agora teríamos uma casa no melhor bairro de Salt Lake City.
Se eu soubesse no que a gente estava se metendo…
A casa era, sem dúvida, um grande avanço em relação à de West Jordan.
AMIGOS DOS MILLERS
Pensei: "Como eles vão pagar isso?
É deslumbrante.
É o sonho de uma vida."
Vamos, Nate!
Quero ser o primeiro a entrar!
Ao se aproximar da casa,
havia uma escada grande, e era linda.
Era uma casa gigante.
Entendo por que meus pais queriam morar lá.
Cada um foi para um lado.
As crianças foram para o quintal,
Matt desceu,
e eu decidi que ia subir.
Notei uma banheira antiga com pés.
E pensei: "Isso deve estar aqui há séculos."
Olá!
Caramba.
April?
É um duto de roupa suja!
Que ótimo, querida!
Que ótimo.
Casa nova, recomeços. Eu estava muito animada com o futuro.
Naquele momento, tudo estava perfeito.
Ficamos acordados até tarde naquela noite, até uma ou duas da manhã,
falando sobre a nossa empolgação com a nova casa.
Ouvi uma voz dizendo: "Mamãe."
Você ouviu isso?
O quê?
Lembro de ouvir algo, como se ouvisse a voz do meu filho.
"Será que vai chamar de novo? Eu estava dormindo? Que barulho foi esse?"
Parecia que alguém estava tentando invadir a casa.
Fique aqui.
Não podia estar acontecendo de novo.
Ei! Vai com a mamãe.
Juro que parecia que alguém alimentava a caldeira.
O estranho é que essa caldeira não funciona há anos.
- Caramba! - Desculpa.
Tudo bem.
São só os canos, só isso.
Vamos, campeão.
Lembro de ter subido as escadas.
Queria ter a chance de percorrer o resto da casa e verificar.
Verifiquei lá fora.
Verifiquei todas as portas e janelas, mas não tinha nada.
April e Shane estavam assustados,
então decidi dizer a eles que era só o barulho dos canos velhos.
Mas, na verdade, eu não sabia o que pensar daquilo.
Mais alto!
Um dia, pouco depois de nos mudarmos,
ouvi Shane conversando com alguém.
Mais alto!
Shane estava no balanço de pneu.
E pensei: "Que fofo, o Nate está brincando com ele."
Mas ele estava indo muito alto.
Mais alto!
E estava indo cada vez mais alto,
e tão alto que achei que ele realmente fosse cair do balanço.
Então fui até lá e falei…
Nate, não empurra com tanta força.
O Benjamin está me empurrando.
Tá bom.
Quem é Benjamin?
Você não está vendo ele?
Achei que o Shane estava brincando, mas o Nathan não estava lá,
então… quem estava empurrando ele?
Vamos entrar, querido.
- Mas, mãe… - Para dentro.
Eu não sabia bem o que pensar.
O que foi que eu acabei de ver?
Sei lá.
Você tá bem?
Antes de nos mudarmos para a casa,
eu sempre fui a criança com quem todos queriam estar.
Todo mundo sempre queria ir lá em casa, mas depois que nos mudamos,
ninguém mais aparecia no quintal.
Não lembro quando começou.
Lembro de sentir o tempo todo
como se algo ou alguém estivesse pairando sobre meus ombros,
onde quer que eu estivesse na casa.
Depois de sentir isso algumas vezes,
passou a parecer algo mais amigável.
Não era tão assustador.
Não entendo bem por que senti que era amigável,
mas eu sabia que era.
Parecia que havia sempre um amigo comigo.
Com o tempo, depois de brincar com ele por um tempo,
passei a chamá-lo de Benjamin.
Contei isso ao Matt.
E falei: "Sim, eu sei. É o Benjamin."
Ele tinha me contado,
mas eu achei que fosse só um garoto do bairro.
Nunca fez muito sentido porque eu não conhecia os pais dele.
Não lembro de ter pedido para ele ir lá em casa.
Nunca sabia se ele viria. Ele só… estava lá.
Logo de cara, o Matt começou com as reformas.
Encanamento, parte elétrica, aquecimento.
Havia muita hera na lateral da casa,
e a aparência estava bem desgastada.
Notei um tipo de reflexo na hera
como se o sol estivesse batendo ali.
E pensei: "O que é isso?"
Olha só isso.
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