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BASEADA NOS ROMANCES DE
FUNDAÇÃO
Lá vamos nós.
Está a dilacerar-nos, virtualmente.
Caso um de nós se queira matar de tédio.
Se isso fosse possível, algum de nós ainda cá estaria?
Falhámos com o Profeta.
Não tenho tanta certeza.
Disse-nos para irmos ao Palácio Imperial e vê onde estamos.
- No Palácio Imperial. - Sim.
E esta deve ser a sala diplomática.
Obrigado por não teres rido
quando tagarelei sobre o vinho da mão do Profeta.
Demorei mais de um século a ser-lhe útil e menos de uma semana a lixar tudo.
Devia ter guardado o vordaline.
Sinalizámo-los no porto e detivemo-los esta manhã.
Dizem ser enviados diplomáticos.
Que mantos são aqueles?
Roupa eclesiástica. Da Igreja do Hari Seldon.
Mal o General Riose chegou aos Confins,
os Confins chegaram até nós.
Interessante.
Vão querer ver a informação da chegada.
Dado o momento, continuamos com os preparativos
do teu casamento com a Rainha Sareth?
A menos que estejas com dúvidas.
Não haverá volta a dar se eu avançar.
Será diferente para nós, mas…
… terás sempre um lugar aqui, Demerzel.
Com a minha nova família.
Com os meus filhos…
… mesmo que não se pareçam comigo.
Eles continuarão a ser o Império.
Claro.
Agradeço ao Imperador as palavras de boas-vindas.
Estou ansiosa por governar a seu lado.
E quero que vocês, todos vocês…
A expressão dele quando eu falei.
… não me comprometerei…
Escondeu-o bem, mas, visto de perto, foi memorável.
Ele tem uma veia aqui…
Porque sinto que a minha conselheira vai fazer jus ao seu cargo?
Não é admoestação, só conselhos.
Contigo, parecem a mesma coisa.
O Dia está encantado contigo. Talvez porque o tratas com desdém.
E, estupidamente, não se sente ameaçado por ti.
Mas há algo que nunca se deve fazer a um homem assim.
E isso é envergonhá-lo.
Eu terei cuidado, mas…
Rainha Sareth, a prometida.
Todos os olhares estiveram sobre si.
O povo de Trantor gostou muito das suas promessas.
Obrigada.
Mas não veio cá só para me dar os parabéns.
Agora que o seu casamento foi anunciado, os nossos médicos querem vê-a.
Um último exame antes da conceção de um herdeiro.
Arranjaremos tempo para isso.
Entenderam-me mal. A rainha deve vir comigo agora.
Eu sei, Demerzel. Sei o que é.
A sua natureza mecânica.
Preciso de saber os segredos da família.
Não viverei em desvantagem.
Está bem informada.
Eu sou uma androide.
Tive uma governanta que falava da grande perseguição.
Disse que foram todos destruídos.
Há mais sobreviventes?
Que eu saiba, sou a última.
Sirvo a dinastia desde o reinado do Cleon I.
Serviu mais algum mestre antes dele?
Não diretamente.
Que significa isso?
Durante muito tempo, os robôs tiveram de obedecer a três leis.
Elas impediam-me de magoar um humano ou permitir que algum mal lhe acontecesse.
- E agora? - Agora, sigo apenas uma lei.
- E qual é? - Sirvo o Império.
E eu serei imperatriz em breve.
Daí as minhas perguntas.
Quando a altura chegar, quero saber.
Servir-me-á?
Servirei o Império.
Obrigada pelo vosso interesse.
Eu sou o Oran, o médico da corte.
Sou especialista em reprodução e assuntos do género.
Por favor, tente relaxar.
Iremos começar com um simples exame uterino
para garantir que é capaz de carregar a sucessão do Império.
O meu ventre é robusto que chegue para o filho do Cleon…
… por mais pontapés que dê.
Sim. Imagino que seja.
Vejo que estimulou quimicamente os seus ovários, como solicitado.
Quando isto terminar, será sedada para recolhermos os óvulos.
Não vão recolher nada até o casamento estar legalizado.
- Chamem-me antiquada. - Não está em posição de recusar.
Isso foi uma piada, Demerzel? Posso recusar em qualquer posição.
Quando aceitou o pedido, o seu ventre tornou-se propriedade imperial.
E a Demerzel bem sabe como é ser propriedade imperial.
O Domínio da Nuvem tem igual interesse na descendência da rainha.
Podemos aceitar a recolha prematura, mas a seu tempo.
Exatamente. Após o casamento, produzirei óvulos às mãos cheias.
E não se preocupe com o processo, Demerzel.
Sei que tem um entendimento com o meu futuro marido
e não irei interferir.
Vocês podem brincar ao santuário e ao cetro.
Posso carregar os filhos dele e deixá-la com o trabalho pesado.
Isto tem de ser feito durante a ovulação.
Vamos ficar por aqui.
Temos muitos anos pela frente.
Que bom!
Espero que o procedimento para reverter a esterilidade do Dia
seja igualmente doloroso.
Sim. É um procedimento simples.
As nano-sondas demoram 20 segundos a criar novos canais deferentes.
Pelo menos, parece desagradável. É justo.
Muito bem, Dr. Oran. Acho que já examinou que chegue.
- Vamos ficar por aqui. - Sim.
Gostaria de falar a sós com a rainha.
Tudo bem.
Acha que o Imperador matou a sua família.
Sei que veio cá com isso em mente. Por isso, fica avisada.
Se alguma vez fantasiar com vingança, por favor, pense neles.
Nos seus pais e irmãos, queimados vivos pelo ar à sua volta.
Mortos com a precisão que me é característica.
86 988 301, 86 988 329…
Gaal?
Salvor?
A Tellem ensinou-te isso?
Desculpa. Eu…
Que se passa contigo?
Não podes desaparecer. Temos de falar sobre isto.
O Hari levou a minha nave.
Teve de ser. Eles aceitam-nos, mas não a ele.
Eu não quero ser aceite por eles.
Temos de sair daqui.
A Tellem tem naves. Levamos uma, mesmo que não atinja a velocidade da luz.
Nem pensar. Precisamos destas pessoas.
Por causa do Mula, certo?
Não é por mais nada.
Continuas a agir como se o Mula fosse algo abstrato.
Não é! Senti-o na minha cabeça e vi o teu corpo sem vida.
E, agora, estás disposta a pôr o nosso futuro nas mãos da Tellem.
Tens de enterrar bem esses pensamentos.
Porquê? Em que estás a pensar que não queres que eles saibam?
Tenho ouvido falar muito de transparência desde que chegámos.
Em Terminus, conseguia ler as pessoas.
Mas aqui? Nada.
Não consigo ler a Tellem. Não consigo ler ninguém.
Há algo de errado neste lugar.
Estão zangadas uma com a outra. Vão sentir-se melhor depois de comerem.
Comer faz-me sempre sentir melhor.
- Depois de comermos o quê? - Há um festim.
Bom dia.
É sempre um dia importante para nós quando recebemos alguém.
Lamento o episódio com o Hari, que ele tenha partido.
- Sim, eu também. - Encontraremos equilíbrio.
Prometo.
Entretanto, há trabalho a fazer.
Eu sei como se pesca.
Salvor.
É o nosso pequeno-almoço?
Moluscos-fantasmas.
Ótima fonte de proteína.
Mas os sacaninhas vivem no fundo do mar.
Estamos à mercê da corrente.
Mas, com paciência, temos um festim.
Então, é mesmo uma ocasião rara.
Não desvalorizamos as boas marés.
A Tellem está feliz por estarem cá.
Está feliz por a Gaal estar cá.
Os teus talentos também importam. Eu senti-os quando nos…
- Beijámos? - Tocámos.
É suficiente.
- E tu é que me beijaste. - Não pareceste incomodado.
Que ilusão seria se me tivesse retraído?
Desculpa.
A sério. Desculpa.
Por vezes, as caras dos outros surgem-me facilmente.
Parece que alguém não gostou do teu dom.
No meu planeta, viam um monstro e foi nisso que me transformaram.
Antes de vir para cá, em todo o lado,
sentia as pessoas a recuar quando me viam chegar.
Eu recuei?
Um pouco.
Mas, acredita,
nunca serás tão próxima de ninguém como das pessoas daqui.
É o melhor deste sítio. Ninguém se consegue esconder.
Estou cheio de fome. Vamos.
Boa.
- Eu faço. - Vira-os.
Que foi isto?
Sentiram alguma coisa?
Dor. Parece que estão a gritar.
Vocês também gritariam se fossem cozinhadas vivas.
Dizemos que somos Videntes, mas a linguagem é imprecisa.
Todos os sentidos estão envolvidos. A audição, a empatia geral.
Nunca senti nada…
Estás a expandir os sentidos, jovem.
Aqui, estão entre pessoas como vocês. Somos mais fortes quando há harmonia.
Vamos só comer folhas.
Porquê? As plantas sentem dor.
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